69% dos Portugueses nunca ouviu falar em Eurobonds

Tiago Esteves
Uma notícia da agência Lusa dá conta de uma sondagem do eurobarómetro, onde se revela que 69% dos Portugueses nunca ouviu falar em Eurobonds! Esta percentagem é a segunda mais elevada da UE, contrastando fortemente com os resultados na Grécia, onde apenas 19% da população desconhece o conceito.

Apesar de eu estar certo que mais de 90% dos leitores deste espaço conhece o significado, não podia deixar de apresentar uma explicação simplificada para a minoria que nunca ouviu falar em tal coisa.
Seguindo a explicação apresentada nos posts sobre obrigações, as Eurobonds representam uma emissão de dívida comum aos vários países da Europa. Em vez de termos Portugal (ou outro periférico qualquer) a ir ao mercado pedir dinheiro emprestado e a ter de pagar taxas de juro elevadas devido à sua baixa credibilidade, o que se faz? Juntam-se os países todos e emite-se dívida garantida pelos vários países da Europa, entre os quais os “super-países” Alemanha e França. Depois de vendidas as obrigações no mercado, o montante resultante é dividido pelos diversos países de acordo com as necessidades individuais!

Qual é a grande vantagem deste plano ainda teórico? Em vez de Portugal, Espanha ou Itália pagarem juros de 6-7%, se a garantia fosse mútua conseguiam-se taxas de 1-2%, resultando isso num grande alívio financeiro para todos os países que actualmente pagam taxas de juro elevadíssimas. Ora, e qual é a principal desvantagem? Basicamente, isso iria prejudicar as contas dos países mas “credíveis”, que hoje em dia se conseguem financiar a taxas virtualmente negativas, como é o caso da Alemanha! Como explicaria a senhora Merkel aos Alemães que eles iriam ter de pagar mais impostos ou ver subtraídos os seus benefícios sociais para ajudar os “preguiçosos do sul da Europa”? Esse é de facto o maior entrave para uma solução que beneficiaria (quase) todos. Mas eu até os compreendo! Quando se fala na Madeira e no senhor do jardim ouvem-se precisamente os comentários que se ouvirão na Alemanha…

Se algum líder europeu for leitor deste blogue, deixo uma sugestão: paguemos nós à Alemanha e à França o diferencial de juros que eles iriam ter em excesso! Eles deixavam de colocar entraves e nós iríamos mesmo assim sair beneficiados! Só tínhamos era de empurrar os Gregos de vez para fora do barco, para se ter a certeza que quando chegasse a hora de pagar toda a gente cumpria a sua parte…

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