A especulação imobiliária

Cristiano Santos

Portugal caminha tranquilamente para ser o país mais pobre da Europa. São as estatísticas que o dizem. Temos sido ultrapassados por uma série de países e os que estavam mais distantes de nós, têm-se vindo a aproximar. 
Tornámo-nos peritos a destruir riqueza. O imobiliário é um exemplo disso. A especulação em Portugal é visto como algo absolutamente terrível. Será? Eu vejo a especulação como algo bom. A especulação é o que faz o individuo investir e arriscar, pois vislumbra lucros futuros, caso contrário deixava-se estar quieto. A especulação faz com que o individuo ao investir, reabilite o património imobiliário, crie emprego, pague impostos (IMI, IMT, etc.), dinamize a economia e no fim ficamos com uma cidade mais bonita e atractiva, em vez de casas degradadas, um pouco por todo o lado. 
Mas a culpa dos preços subirem é dos especuladores? Não é. Nunca é devido a uma só situação e há varias coisas a contribuir para este cenário actual;
– Os bancos centrais baixaram as taxas de juro a zeros, isto fez com que grandes fundos e empresas se conseguissem financiar/endividar muito mais. Para além disso, o dinheiro ficou barato e há mais liquidez no mercado;
– Devido a esta política dos bancos centrais, os aforradores viram diminuir as opções onde colocar o dinheiro de forma atractiva. Os depósitos a prazo tem taxas quase zero. As obrigações igual. O mercado de capitais é um risco que muitos não querem correr e resta quase só o imobiliário como investimento possivelmente seguro e lucrativo;
– O número de turistas com crescimento consistente desde de 2004, com aumentos anuais de turistas na ordem dos 10% ano. Muito devido às low cost das companhias aéreas;
– Primavera Árabe em 2010-2012 tirou o turismo do Norte de África + Turquia e foi quase todo para o Sul da Europa;
– Portugal firma acordos com países que dão grandes benefícios fiscais aos reformados que venham viver para Portugal. Casos mais flagrantes são França, Suécia e Finlândia;
– Vistos Gold, só por esta via Portugal já encaixou mais de 1000 Milhões e a procura pelas zonas prime foi/é imensa;
– A boa qualidade geral dos nossos hóstels/Hóteis.
Mas isto está a acabar. Para além de ser previsível a política de “dinheiro barato” dos Bancos Centrais, começar um dia a diminuir, o norte de África está a estabilizar, e há países a rasgar ou com vontade de o fazer os acordos com Portugal de eliminação de dupla tributação, nomeadamente a Finlândia e a Suécia, pois perdem receita e a sua população sénior vem para cá gastar o dinheiro e as suas poupanças.
Com esta “bonança” temporária Portugal colectou recordes de receita fiscal. Como esta “bonança” é conjuntural, se Portugal tivesse de facto boas políticas esforçava-se para torna-la estrutural. Reabilitava o aeroporto de Lisboa e resolvia de vez a situação (ou Portela, ou Beja ou Montijo), reabilitava/publicitava museus, paisagens e diversos pontos de atractividade. Disponibilizava património do Estado para habitação de forma a baixar os preços por via do aumento da oferta e a lucrar ainda mais com esta onda.
Em vez disso o que fizemos? Ameaçamos com novos impostos para assustar/destruir este mercado novo e com enorme potencial.   
Assim é difícil.

or baixo.

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