A falácia dos combustíveis (3) – Selecção do ponto de entrada

Tiago Esteves
Depois da análise à composição do preço dos combustíveis em Portugal, e da explicação ao mecanismo de hedging à subida dos preços em bomba, terminamos esta série com a análise aos preços do petróleo, gasolina e heating oil em busca de um ponto ideal para abrir a posição. 
Crude 
Começando pelo petróleo, o momento decisivo para o actual movimento de baixa foi a quebra em baixa dos 40 dólares. A partir desse ponto, não mais este activo conseguiu esboçar uma reacção. Não existem para já, no gráfico diário, quaisquer indícios que possam deixar adivinhar uma recuperação. A forte sobrevenda poderá de alguma forma puxar por um ressalto, mas isso está longe de ser suficiente para uma indicação de entrada. Referências de entrada longa no gráfico diário apenas nos 38,2 dólares, mas uma entrada acima dessa zona é já demasiado tardia para um mecanismo de hedging. 
A linearidade descendente do gráfico diário contrasta, contudo, com o panorama no gráfico horário. Aqui, os 31,3 dólares são a referência de negociação para o curto prazo. 

Gasolina
Como os cenários macro na gasolina e heating oil são semelhantes ao do petróleo, foquemo-nos no curto prazo com a leitura do gráfico horário. A partir de finais de Dezembro, a gasolina quebrou uma lateralização em baixa e acentuou um movimento descendente que ainda se mantém. Este padrão é bastante perceptível, por assentar numa sequência de lower-highs. Se no início do dia de hoje havia indícios que apontavam para uma eventual recuperação baseada num padrão de inversão, a activação do mesmo tem vindo a tardar e pode mesmo já não acontecer. Fica, ainda assim, a marca dos 1,08 dólares como grande referência de negociação. A sua quebra em alta significará com alguma probabilidade um ressalto que se poderá estender ao gráfico diário.

Heating Oil
No heating oil existem alguns dados de relevo adicionais que deverão ser salientados. Além de um padrão de inversão no gráfico horário, situado neste caso nos $0,95, existe um padrão no gráfico de 4 horas cuja activação ocorre na quebra em alta dos $0,987. Dada a superior relevância técnica deste segundo ponto, e considerando a pequena distância percentual entre ambas as referências, pessoalmente considerarei esta segunda como trigger para o meu negócio.
É, contudo, a pressão vendedora que se continua a fazer sentir neste activo. Enquanto escrevo, o suporte que demarca um rectângulo de continuação dá sinais de querer ceder. Se assim for, o movimento descendente poderá prevalecer durante mais algum tempo.

Notas finais
Apesar desta análise ao preço, recordo que o objectivo desta série de artigos não passa por ganhar dinheiro directamente com estes activos. O objectivo fundamental é bloquear as oscilações de preço do combustível em bomba. Obviamente que o ideal é fazer a neutralização o mais próximo possível de mínimos, mas fiquem desde já cientes que só por sorte se consegue encontrar mínimos. Ao contrário do que acontece com a aquisição de acções, por exemplo, neste caso pode compensar entrar um pouco mais cedo ao invés de esperar por um ponto de entrada mais robusto. O pior que pode acontecer é fixar-se o preço em bomba demasiado cedo, o que a partir de determinado ponto como já vimos poderá até compensar. Fica então assim fechada a série “combustíveis”. Parabéns aos resistentes que conseguiram ler os 3 artigos sem adormecer 🙂

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