A greve dos professores

Tiago Esteves
Enquanto cidadão
contribuinte tenho tido dificuldades em colocar-me do lado dos professores nesta greve em particular. 

1. Se um professor tiver o
azar de partir uma perna em dia de greve num hospital não vai deixar de ser
atendido. Mesmo sendo uma perna partida algo que podia ser tratado noutro dia. 

2. Só quem não faz a mínima ideia da
importância que um exame nacional tem para os que o fazem poderá afirmar com
leviandade que os exames que tiverem de ser adiados poderão ser feitos mais
tarde sem qualquer prejuízo para o aluno. Os professores, por um motivo que
agora não me ocorre, deveriam compreender a importância que os exames têm na
vida dos alunos. 

3. Afirmarem que um dia de exames é um
bom dia para fazer greve pelo
impacto que causa na vida das pessoas menospreza o seu próprio trabalho durante o resto do ano. Ao
colocarem de lado a importância do seu dia-a-dia profissional os professores
estão a dar argumentos aos que defendem o aumento do número de alunos por
turma, a eliminação de disciplinas, etc. Afinal o que parece contar são os
momentos de avaliação e não o processo de aprendizagem. 

4. O governo não fica
isento de responsabilidades neste processo. A instabilidade é o pior que se
pode oferecer aos que, 12 anos de preparação depois, esperam por uma
oportunidade para decidir o seu futuro. Sendo a requisição civil irrealista, o
reajustamento atempado do calendário de exames teria minimizado danos. 

5. Apoio todas as formas de
luta profissional. Todas excepto as que atropelam o futuro da sociedade ou de
uma geração em nome do bem-estar próprio.

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