A uma semana da AG, aumenta a pressão no BPI

Tiago Esteves
Desde o anúncio da OPA por parte do CaixaBank, o BPI tem vindo a aguentar-se de forma quase irrepreensível. Com uma ancoragem do preço da cotação ao preço oferecido na OPA, não seria de esperar um comportamento diferente. O problema deu-se quando o Caixabank veio para o meandro jornalístico lançar o rumor de um cancelamento da oferta, com a clara intenção de pressionar o tribunal relativamente à providência cautelar entretanto interposta pelo grupo Violas e os accionistas de referência na AG de dia 21. Que salganhada… só no nosso magnífico país se mistura de uma forma tão íntima negócios com política, comunicação social, lobbying e justiça. Ok, não somos os únicos onde isto ocorre, obviamente. O que difere é o nível de perversão existente entre estes eixos da nossa sociedade. No meio disto tudo, não sei honestamente para que lado vai a balança pender. Poderia dar a minha opinião relativamente ao que achava melhor para o título, accionistas e funcionários, mas esses três factores são os que menos têm contado para se tomarem decisões nas empresas da nossa praça.

Deduções políticas e negociatas à parte, olhemos para o gráfico horário (que o diário não mostra mais do que uma monótona linha horizontal). O gráfico é, ainda assim e apesar de tudo, a única referência confiável no meio disto tudo. Depois da longa lateralização motivada pelo cenário de OPA, deu-se a significativa correcção devido à especulação do seu falhanço. Não havendo ainda uma decisão conhecida relativamente a este tópico, o gráfico horário parece querer antecipar boas notícias nesse sentido. A confirmar-se a activação do duplo fundo que agora tenta surgir, a cotação teria tudo para regressar ao patamar dos 1,07€. Daí para diante o prémio de risco seria já relativamente baixo.

Havendo uma AG decisiva dentro de precisamente um mês, é expectável um aumento da volatilidade neste período. Existem nesta fase ainda cerca de 7% de prémio de risco, o que não deixa de ser especulativamente interessante para uma estratégia agressiva com stops apertados. Mas se tivermos em consideração que desde o  anúncio da OPA o BPI desvalorizou cerca de 5% contra os 55% do seu congénere BCP (sem querer fazer grandes comparações fundamentalistas), podemos por aí inferir o que lhe poderá acontecer caso a OPA falhe.

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