Acionistas do BCP aprovam distribuição de dividendos e devolução faseada de salários

Agência Lusa

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Os acionistas do BCP aprovaram hoje em assembleia-geral, com 99,98% dos votos a favor, a distribuição de dividendos e a devolução faseada dos salários, que sofreram cortes entre 2014 e 2017, foi hoje divulgado.

De acordo com o BCP, o ponto dois da assembleia-geral de acionistas, que propunha “deliberar sobre a proposta de resultados para o exercício de 2018”, foi aprovado com 99,98% dos votos a favor.

Já o ponto um, relativo ao “relatório de gestão, balanço e contas individuais e consolidadas, relativos ao exercício de 2018, incluindo o relatório do Governo Societário”, foi aprovado com 100% dos votos.

A assembleia-geral do BCP, que se realiza hoje no Tagus Park, em Oeiras, conta com a representação de 64,5% do capital do banco.

O dividendo proposto pela administração do BCP foi de 0,002 euros por ação, totalizando 30,2 milhões de euros.

Para os trabalhadores, o valor da devolução é de cerca de 12,6 milhões de euros.

O ponto três, relativo à “apreciação geral da administração e da fiscalização da sociedade”, foi também aprovado por 99,88% dos votos dos acionistas presentes.

A reunião magna do banco liderado por Miguel Maya foi hoje marcada por uma manifestação de vários sindicatos, que exigiam a reposição imediata dos salários, que sofreram cortes entre 2014 e 2017, e aumentos relativos a 2018.

Antes da assembleia-geral, representantes do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) e do Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) disseram à Lusa que se manifestavam pela atualização salarial em 2018 e pela devolução integral dos valores que foram alvo de cortes salariais entre 2014 e 2017.

“Nós julgamos que um banco que fez uma recuperação notável (…) tem condições para fazer a devolução no mais curto espaço de tempo, eu diria de imediato”, disse à Lusa Paulo Marcos, presidente do SNQTB.

Na terça-feira, fonte do SNQTB disse à Lusa que o sindicato se iria abster no ponto dois, “num claro sinal de discórdia” face à devolução faseada e não por inteiro.

Pela mesma ideia alinhou Mário Mourão, presidente do Sindicato dos Bancários do Norte (SBN), que disse que “a atual administração do BCP recusa-se a negociar e a sentar-se à mesa”, e que “precisou dos sindicatos quando foi preciso chamá-los para assinar um memorando de entendimento”.

Por outro lado, o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) marcou presença na manifestação “sensibilizando os acionistas” para que aprovassem a proposta de devolução faseada, uma vez que é “mais que justa”, disse à Lusa Cristina Damião, da direção do sindicato.

Em 09 de maio, na conferência de imprensa de apresentação de resultados do primeiro trimestre, o presidente executivo do banco, Miguel Maya, disse que a proposta de compensação aos trabalhadores era “mais generosa” do que a proposta de dividendos aos acionistas.

Miguel Maya justificou o seu raciocínio com o facto de aos acionistas a administração ter proposto a distribuição de cerca de 30 milhões de euros, o que é um dividendo correspondente a cerca de 10% do resultado de 2018 (uma vez que foram de cerca de 300 milhões de euros), enquanto para os trabalhadores propunha 12,6 milhões de euros.

O BCP tinha 7.262 trabalhadores em Portugal no final de março.

O grupo chinês Fosun é o maior acionista do banco, com cerca de 27% do capital social, seguindo-se a petrolífera angolana Sonangol, com 19%. O fundo de investimento Blackrock tinha, em final de 2018, cerca de 2,8% e o grupo EDP 2,11%.

JE (IM) // CSJ

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