Acionistas do BCP elegem na quarta-feira Miguel Maya como novo presidente

Agência Lusa

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Os acionistas do banco BCP elegem esta quarta-feira a nova administração do banco, em assembleia-geral, indo a votação a proposta para que Miguel Maya suceda a Nuno Amado como presidente executivo.

A reunião magna, marcada para as 14:30 (hora de Lisboa) no Taguspark, em Oeiras, tem dez pontos na ordem de trabalhos, de que se destaca o ponto oito com a eleição do novo Conselho de Administração, uma vez que o mandato do atual órgão social terminou no final de 2017.

A proposta assinada pelo grupo chinês Fosun, o maior acionista do BCP, a petrolífera angolana Sonangol e o Fundo de Pensões do Grupo EDP – divulgada em 08 de maio ao mercado – propõe que Miguel Maya (atual vice-presidente executivo) passe a presidente executivo (CEO), substituindo Nuno Amado, cuja proposta é que passe a presidente do Conselho de Administração (‘chairman’).

Nos seis anos como presidente executivo do BCP (cargo que assumiu em 2012 vindo do Santander Totta), Nuno Amado passou por momentos conturbados no banco, em anos de crise económica e financeira e de maiores exigências regulatórias.

Em 2012, o banco socorreu-se do Estado para se recapitalizar, através de 3.000 milhões de euros de obrigações de capital contingente (os chamados ‘CoCos’), injetados em junho de 2012 pelo Estado e reembolsados na totalidade no início de 2017.

Em 2016, a Fosun entrou no BCP, passando a deter 16,7% do capital assumindo-se logo como a maior acionista, relegando a petrolífera angolana Sonangol para segunda posição. Atualmente, o grupo chinês detém 27% do capital social.

O início do mandato de Nuno Amado ficou marcado por três anos consecutivos de prejuízos – em 2012 (1.219 milhões de euros), 2013 (740 milhões de euros) e 2014 (217,9 milhões de euros).

O banco teve ainda de gerir durante estes anos elevados montantes de crédito malparado, que em março último eram de 6,3 mil milhões de euros.

O mandato de Nuno Amado fica ainda marcado pela redução da estrutura do banco. O número de trabalhadores em Portugal reduziu-se em 1.793, ao passar de 8.982 em 2012 para 7.189 no final de 2017, e fechou 261 agências, já que eram 839 em final de 2012 e passaram a 578 em final de 2017.

Os trabalhadores do BCP tiveram ainda cortes salariais entre meados de 2014 e de 2017, o que disse o banco que permitiu salvaguardar 400 postos de trabalho.

Ainda sobre a propostas que serão votadas na assembleia-geral desta quarta-feira, para a Comissão Executiva são propostos, além de Miguel Maya (que é quadro do BCP há mais de 20 anos), mais cinco pessoas: Miguel Bragança (foi para o BCP em 2012, desde o Santander Totta), João Nuno Palma (foi administrador da Caixa Geral de Depósitos até 2016 e é do BCP desde 2017), José Miguel Pessanha e Rui Teixeira (ambos com carreira feita no BCP) e ainda Maria José Campos (quadro do BCP, ligada ao banco Millennium na Polónia).

Já para administradores não executivos são propostos onze nomes. Além de Nuno Amado como presidente, o destaque é a entrada do presidente da Fidelidade, Jorge Magalhães Correia, em representação da Fosun, que, além do BCP, detém também esta seguradora.

Os outros administradores não executivos propostos são Ana Paula Gray (com experiência em banca em Angola, representando o acionista Sonangol), Lingjiang Xu (ligado à Fosun), Xiao Xu Gu (administradora do grupo Fosun), Teófilo Ferreira da Costa (até 2017 diretor do grupo CGD) e José Manuel Elias da Costa (secretário de Estado em governos PSD de Cavaco Silva, trabalhou no Santander Totta e desde 2016 consultor do Banque de Dakar, Senegal).

Dos onze administradores não executivos há ainda quatro que são também membros do Conselho de Auditoria: Norberto Rosa (quadro do Banco de Portugal, secretário de Estado do Orçamento nos governos de Cavaco Silva e Durão Barroso e administrador da CGD entre 2004 e 2013), proposto como presidente da Comissão de Auditoria, Cidália Lopes (professora do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, que já pertencia a este órgão social ), Valter Barros (com experiência na banca em Angola, até 2017 consultor do ministério das Finanças de Angola) e Wan Sin Long.

Os acionistas irão ainda decidir se o mandato do Conselho de Administração do BCP passará dos atuais três para quatro anos, a aprovação das contas de 2017 (em que o BCP teve lucros de 186,4 milhões de euros, bem acima dos 23,9 milhões do ano anterior) e uma proposta para o pagamento extraordinário de 4,9 milhões de euros para os fundos de pensões dos atuais administradores executivos do banco.

IM // CSJ

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