Ainda a Galp

Tiago Esteves

Não é surpresa para quem acompanha o blogue que tenho desde há algum tempo uma posição longa na Galp. Também não é surpresa a minha “paixão técnica” por este activo com um comportamento fascinante.
Posto estes dois pontos, cheguei no início da semana a um dilema. Abri uma posição com base na LTa que se tem vindo a formar e a ganhar consistência e planeio fechá-la apenas quando esta linha for quebrada. Por outro lado, atingimos uma zona de forte resistência, pela qual duvido que passemos à primeira. O que fazer, então? Liquidar a posição está fora de questão, já que a tendência é claramente ascendente e nada nos indica que a resistência não vá cair, mais dia menos dia. Vender uma parte da posição não seria completamente descabido, mas existe uma alternativa mais interessante. Abrir uma posição curta em CFD’s, simultânea à posição longa em acções.

Para quem não acompanhou os meus argumentos a este respeito no Caldeirão, deixo aqui as vantagens que na altura apontei para este movimento:
– A primeira, e menos evidente, é não nos desfazermos de uma posição só por esta se revelar ganhadora. É um mau princípio e um mau hábito;
– Por outro lado, imaginem que vamos ter a posição por mais de um ano. Se andarmos sempre a comprar e a vender, nunca vai completar um ano. Assim, estamos igualmente protegidos e se a posição completar um ano não vamos pagar IRS sobre as mais-valias;

Referi ainda outra vantagem que abordarei mais à frente neste post. Por pura distracção omiti nessa altura a principal vantagem, aquela que é a principal razão para a existência de produtos alavancados.
Utilizemos os 11€, valor redondo e de fácil cálculo, como referência para o inicio da zona de resistência. Se abrirmos uma posição curta do mesmo tamanho da longa nessa altura, estamos a “congelar” todos os lucros que já vêm de trás. Daí em diante qualquer flutuação, tanto para cima como para baixo, será anulada pelas posições contrárias.
Imaginem que a cotação, após tocar nos 11€, se retrai até à LTa, que se situará em breve nos 10€.

Mantendo o plano inicial, a posição curta é liquidada nesta altura e a posição longa é “descongelada”. Em vez de arrancar a partir dos 11€ vai arrancar a partir dos 10, ganhando mais 1€ de margem de lucro. Caso a resistência quebre, a posição curta seria liquidada e seguiria a longa, normalmente.

O outro argumento que apontei no caldeirão é mais especulativo, aplicável portanto apenas a casos específicos. Se eu tenho fortes convicções de que a resistência não será quebrada com o primeiro impacto, então vou inclinar a minha posição nesse sentido. Como? Em vez de abrir uma posição curta equivalente à longa, aproveito e abro uma posição curta (por exemplo) 33% maior do que a inicial. Assim, estarei exposto a apenas 1/3 do risco a que geralmente me exponho, seguindo um palpite tecnicamente bem sustentado.

Já agora, deixo a minha visão sobre o que penso que vai suceder nos próximos tempos. Se a Galp se mantiver tecnicamente correcta não vai quebrar a resistência à primeira. Vai retrair-se até à LTa e possivelmente só à terceira tentativa conseguirá romper a resistência, criando um triângulo horizontal de continuação ascendente. Mas neste meio nada pode ser dado como certo ou garantido, por isso há que usar stops e planos de recurso.
Fica o “rascunho” do que eu estimo que venha a acontecer…

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