Análise de Resultados – Jerónimo Martins com sinais mistos

Guilherme Neves

Na sequência da recente apresentação de resultados da Jerónimo Martins, deixa-se hoje um comentário aos mesmos.

Principais pontos de destaque

  • No Q3 de 2016 registou-se um one-off positivo no valor de 204 M€, que consistiu na mais-valia decorrente da venda de uma participação que a JMT tinha numa sociedade com a multinacional Unilever, a uma Holding da família Soares dos Santos;
  • O terceiro trimestre da JMT mostra 3 realidades diferentes. A Polónia, que depois de 2014 voltou a recuperar o crescimento de vendas em base comparável, para próximo dos 2 dígitos. Portugal, com as vendas em base comparável a caírem no Q3 no Pingo Doce, e a Colômbia a perder dinheiro.
  • Em Portugal, a fraca performance do Pingo Doce é contrabalançada pelo Recheio, beneficiando do momento muito positivo dos setores da hotelaria e restauração
  • Nos primeiros 9 meses de 2017, o RL subiu apenas 0.6% devido essencialmente às maiores perdas na Ara ( operação de distribuição alimentar na Colômbia) e na Hebe (rede de Parafarmácias na Polónia), e à fraca performance do Pingo Doce
  • O forward per da JMT para 2017 andará perto ou até mesmo acima das 25x, o que coloca a JMT no mesmo patamar de valorização de empresas de topo a nível mundial, como a LVMH ou a Inditex
  • O impacto de um maior nível de fiscalidade, com o imposto sobre o rendimento a subir de 86 M€ para 101 M€, levou a que o resultado subisse apenas 0.6%
  • O resultado antes de imposto, ajustando pela mais-valia descrita acima e pela contribuição dessa participação, cresceu 3%. O resultado liquido subiu 0.6% nos primeiros 9 meses do ano

 

EBITDA & Investimento

  • O EBITDA da Polónia reflete a boa performance do negócio, representando mais de 85% do total do grupo
  • Portugal representou 177 M € de EBITDA, com a margem a cair ligeiramente, valor praticamente inalterado face a 2016
  • A Ara e a Hebe perderam 67 M € ao nível do EBITDA, 85% do quais na Ara. Este facto, conjuntamente com as depreciações, deve levar a que as perdas na operação colombiana ascendam em 2017 a cerca de 95 M € antes de impostos.
  • A JMT aumentou o investimento na Ara de modo a expandir para a região de Bogotá e ganhar escala, devendo os próximos trimestres permitir ter maior clareza sobre o potencial desta operação em termos de rentabilidade, que por ora é negativa

Em resumo

Os resultados da Jerónimo Martins confirmam as tendências dos trimestres anteriores, sendo que depois de devidamente analisados têm um impacto tendencialmente neutro no actual nível da cotação. Isto a confirmar-se a boa performance na Polónia, que é o principal driver da valorização da Jerónimo Martins. Será também importante acompanhar a evolução da Ara que é actualmente o principal lag e ponto negativo dos resultados apresentados pela Jerónimo Martins

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