Análise Semanal – BCP

Tiago Esteves

O vencedor da sondagem semanal foi o BCP.
Depois de uma queda de 85%, podemos finalmente começar a falar em recuperação. Definitiva? Ainda é muito cedo para dizer com clareza, mas não será certamente fácil. Dos Estados Unidos parecem começar surgir os primeiros sinais de alívio da tão falada crise.

Na semana em que saíram os resultados dos Stress Tests não poderia deixar de falar sobre o assunto. Como já era de esperar, não houve grandes novidades. Alguns dos bancos de risco a necessitarem de capital, mas pouco! É como quem diz, “afinal a crise sempre os atingiu, mas isto até se resolve facilmente!”. Pessoalmente não estava à espera de muito mais. Não é com alarido que as coisas se resolvem, agindo discretamente evita-se o agravar da desconfiança e ainda se consegue angariar capital junto dos investidores particulares (tarefa quase impossível há uns meses atrás, no apogeu do problema). Por mera coincidência (ironia), os dados do desemprego relativos ao mês de Abril saíram esta semana com uma surpresa positiva. Houve um abrandamento no aumento do número de desempregados. Boas notícias portanto, que suportariam a tese de recuperação económica, não fosse ter-se omitido um importante pormenor: Este abrandamento deveu-se sobretudo à contratação de trabalhadores temporários por parte do estado, para realizarem um censo que acontece apenas uma vez em cada década.

Parece-me claro que existem imensos dados que têm sido convenientemente divulgados de forma a diminuir a desconfiança dos investidores. Talvez seja essa a chave para a resolução de uma parte da crise económica… O BCP, a par dos seus congéneres, tem beneficiado com esse aumento de confiança no sector. Os investidores começam a perder o receio de nacionalizações e aumentos de capital, apostando nos bancos que foram arrastados com a corrente e (em alguns casos) injustamente penalizados.

Mas passemos à parte técnica, que é provavelmente o mais concreto no meio de tudo isto.
O canal descendente que acompanhava as quedas desde o início do bear market, há cerca de um ano e meio, foi finalmente quebrado em alta.
Embora esta quebra não signifique por si só que o bear market terminou e que vamos iniciar novo ciclo ascendente, é sem dúvida um sinal a ter em conta.
A acompanhar esta quebra chegaram também os fortes volumes, que são um factor essencial no início de uma nova tendência. Repare-se no comportamento dos volumes desde que o actual fundo foi atingido. Crescentes até ao toque na LTd, decrescentes na reacção em baixa e após as cotações terem tocado no suporte os volumes crescem novamente. Perfeita, a conjugação de subidas com volume. A quebra da LTd com volumes fortes e 2 gaps up são um sinal claro de que existe muita força compradora abaixo do actual nível.
Como disse acima, a quebra da LTd não significa que vamos assistir a uma incessante continuação do movimento ascendente. Existe uma resistência nos 0,86 e as sombras das últimas duas velas são a prova viva de que há pressão vendedora nesse local. É possível que assistamos a nova visita até ao suporte e, aí sim, com o reteste à linha quebrada, comece uma subida mais consistente.

Seria uma boa oportunidade de fazer uma tentativa de entrada longa, pois deixaríamos de ter uma eventual quebra da LTd como referência (que é sempre mau, já que o stop se afasta a cada dia que passa) e passaríamos a ter um suporte com alguma solidez. Caso a resistência dos 0,86€ ceda, é possível que este ressalto/início de bull market leve as cotações até ao suporte dos 1,12€.

Eu não estou muito inclinado para comprar BCP, pelo menos tão depressa. Como disse acima, continuo muito céptico em relação à resolução definitiva desta crise e, caso regressem as más notícias, o sector bancário será o primeiro a ressentir-se. Existem actualmente várias empresas a dar sinais técnicos muito convincentes e que nada têm a ver com o sector bancário. Estas sim, foram trazidas por arrasto e têm agora uma excelente oportunidade para brilhar.

Deixe uma resposta