Análise Semanal – Cimpor

Tiago Esteves

A vencedora da análise semanal foi a Cimpor, mais uma empresa do PSI-20 que eu aprecio analisar pelo seu comportamento linear e tecnicamente correcto.

Desde a quebra em baixa da LTa de longo prazo que a Cimpor se rendeu às quedas. Pelo caminho tem desenhado alguns padrões técnicos interessantes que deixaram antever um pouco do que viria a acontecer no seu seguimento. Após a quebra da LTa tivemos um reteste perfeito e uma queda de 40%. Depois dessa incessante queda tivemos um triângulo simétrico de continuação com claras falhas na abordagem à sua linha limite superior, o que deixou adivinhar uma quebra em baixa. Assim aconteceu, quebra com forte volume e nova queda de 30%. Novo fundo intermédio, nova recuperação. Durante esse período de lateralização/recuperação acabou por desenhar um interessante H&S de continuação. Interessante e invugar, já que este género de padrão raramente atinge as projecções a que se propõe.

Este H&S atingiu a projecção milimetricamente e desde aí temos assistido a um rebound fantástico. Tocou os 3€ e galopou mais 50% em dois meses, sem sinais de hesitação. Vamos por momentos colocar de lado todas as dúvidas que assombram o nosso pensamento de investidores e partir do princípio que já estamos em pleno bull market. Comparemos este movimento com o movimento de início de bull market que ocorreu em 2002/03 (que, por acaso, até aconteceu a valores bastante semelhantes aos actuais). Sabem quanto tempo a cotação demorou a subir os mesmos 52% que subiu nos últimos 2 meses? Três anos e três meses… Isso mesmo, vinte vezes mais!

Não era suposto os bull markets serem mais lentos e menos voláteis que os bear markets? Bem, os tempos mudam, os pressupostos alteram-se… Alguém dizia que depois deste ciclo económico os livros de análise técnica terão de ser re-escritos para serem adaptados à nova realidade. Provavelmente será verdade. Mas voltemos a focar-nos no concreto. O que é que temos neste momento de concreto no gráfico da Cimpor? Antes de mais, um inegável movimento ascendente, que tem proporcionado muitos lucros a quem acreditou nele. Temos uma LTa que tem acompanhado esse movimento ascendente, com uma amplitude tal que faz lembrar uma bolha especulativa. Temos volumes muito mais baixos durante a subida do que tivemos durante a fase de descida. Se esta subida tem mesmo pernas para se manter, porque é que os grandes players não entram em força suficiente para deixar marcas no volume? Será que não estão convencidos? Na verdade, eu também não.

O que precisa de acontecer para eu mudar esta minha controversa opinião? Antes de mais, vou aguardar por uma hipotética quebra em alta da LTd de longo prazo (a verde). Embora tenha apenas dois toques, é uma referência válida do movimento descendente que pauta este bear market. Além disso, terão de aparecer volumes nas quebras de resistências. A apatia numa subida tão íngreme não pode ser considerada salutar.

Por último, e embora possa parecer estranho, gostaria também que a linha de tendência ascendente de médio prazo que tem acompanhado o actual movimento quebrasse em baixa. Passo a explicar. Quanto mais tempo subirmos com esta amplitude, mais provável é que estejamos mesmo dentro de uma bolha especulativa e, ao rebentar, traga as cotações até cá abaixo. Se a LT quebrar e assistirmos a uma correcção (quem sabe, um padrão técnico de continuação), teremos um movimento com muito mais pernas para andar do que aquele a que actualmente presenciamos.

Aos que estão dentro da Cimpor, duas palavras. Em primeiro lugar, não limitem os ganhos só porque o movimento parece esticado. O que subiu muito pode subir ainda mais. Por outro lado, não caiam em molezas. Olhos abertos, protejam os lucros e não deixem que uma posição ganhadora se transforme numa perda.
Não quero deixar a ideia errada de que estou de mãos dadas com os ursos. No momento em que escrevo esta análise detenho apenas posições longas e acredito na continuidade deste movimento (no geral) pelo menos por mais algum tempo. Não tenho qualquer posição, nem longa nem curta, sobre a Cimpor.

Comment List

  • Anónimo 03 / 05 / 2009 Reply

    Olá Tiago, excelente analise, aliás como sempre…já nos habituaste "mal" com essas tuas excelentes analises, para mim esta foi particularmente boa porque este titulo realmente fez alguns pormenores técnicos muito interessantes que até aos meus olhos (de leigo) foram perceptíveis (ex. H&S), aliás tive oportunidade de trocar algumas impressões contigo na altura em que ele se formou. Acompanho-te sempre com muita admiração nos fóruns que também frequento (Clubeinvest e Caldeirão) e sempre que posso venho aqui ao teu espaço e só te posso pedir uma coisa….continua….obrigado…
    Já agora deixa-me fazer-te duas perguntinhas:
    1.As linhas de tendência que traças ou as linhas das figuras que desenhas normalmente passam pelos máximos das velas ou pelos fechos (achas isso relevante)??
    2. Qual a escala de preços que normalmente utilizas (penso que logarítmica), que nível de importância atribuis às diferenças de analises que se obtém pela utilização de uma ou de outra?
    Desculpa lá a chatice mas preferi dirigir-me a ti por este meio em vez de MP no caldeirão ou CI, espero que não leves a mal…
    Abraço

    Daniel Sousa.
    (Dansousa)

  • Tiago Esteves 04 / 05 / 2009 Reply

    Olá Daniel,

    Obrigado pelas tuas palavras:)
    Fizeste bem em colocar aqui as tuas dúvidas, quem sabe se não possam ser úteis para outros utilizadores do espaço.
    A forma como se traçam as linhas de tendência, suportes e resistências, é extremamente importante. Regra geral, o mais correcto é traçar utilizando o fecho, já que é consensualmente aceite como o valor mais relevante. É o valor a que os investidores aceitam transitar os titulos em carteira para o dia seguinte. Se um suporte/resistência for violado algumas vezes por valores intraday, tal não deve ser considerado muito grave, já que uma puxada pode muito bem causar isso.
    Já se os máximos/mínimos relativos se detiverem sempre no mesmo valor, deve ser colocada a possibilidade de mudar para esse valor o suporte/resistência. No fundo, é uma questão de flexibilidade na análise.

    Em relação às escalas, convido-te a ler um dos primeiros artigos escritos neste blogue http://surfaratendencia.blogspot.com/2008/06/escalas-logartmica-ou-linear.html

    Continua a passar por cá, és sempre bem-vindo.

    Abraço,
    Tiago

  • Anónimo 05 / 05 / 2009 Reply

    Olá Tiago…obrigadinho pela atenção e força nesse trabalho, estou a ver que continuas a trabalhar para melhorares e acima de tudo ainda consegues pensar nos outros e ajuda-los, pelo menos falo por mim e no que me toca fico-te muito agradecido pois também me tens ajudado a aprender umas boas coisas de analise técnica (as tuas analises são verdadeiros ensinamentos), digo-te mais…à tua custa já comprei mais um livrinho para adicionar ao meu estudo “Analise Técnica – Tendências e formações de preços”, ainda não o li (recebi-o hoje), dei uma vista na diagonal e aparentemente parece interessante, pelos teus comentários também me pareceu interessante, espero que seja mais uma boa ferramenta para a minha longa aprendizagem.
    Quanto ao artigo que me aconselhaste vou já tratar de o ler.
    Mais uma vez, obrigado e BOM TRABALHO…CONTINUA….
    Abraço
    Daniel Sousa
    (Dansousa)

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