Análise Semanal – EDP

Tiago Esteves

A análise desta semana tem como protagonista a EDP. Curiosamente, a EDP também foi uma das protagonistas da “semana económica”, após ter anunciado resultados acima do esperado e um dividendo de 14 cêntimos.
Quem costuma ler o que eu escrevo, sabe que sou um acérrimo defensor da política de não distribuição de dividendos, porque considero que o benefício potencial que daí advém é mínimo. Quando uma empresa distribui dividendos aos accionistas, o seu valor corrige na sessão seguinte de forma automática. Imaginemos que a distribuição de dividendos é feita hoje, com a cotação a 2,44€. Na segunda-feira, a cotação abriria a 2,30€, corrigindo automaticamente os 14 cêntimos que foram distribuídos aos accionistas! E o que acontece a esses 14 cêntimos? São distribuídos depois de sujeitos a uma taxação de 20%. Como sabemos, as mais-valias em bolsa são taxadas a 10%. Nos dividendos, sofremos o dobro da taxação! Então, o que ganha o accionista com a distribuição de dividendos? Na minha modesta opinião, nada… O grande beneficiado com essa política é mesmo o Estado.
Se o capital produzido pela empresa não tem onde ser reinvestido de forma a criar mais-valias para os accionistas (eu tenho sérias dúvidas, neste caso concreto), então que se proceda à recompra de acções próprias com esses excedentes, beneficiando assim muito mais os accionistas.
Perdoem-me esta pequena palestra sobre dividendos, é que eu continuo sem entender muito bem o porquê das entradas especulativas para a caça ao dividendo…
Sigamos então para a análise técnica!

Mais uma vez optei por fazer a análise desta semana no gráfico semanal. Tem sido uma prática regular nas últimas análises, já que o período de lateralização traz poucas novidades e tende a fazer-nos esquecer que estamos em pleno bear market.
Como é visível na imagem, também na EDP se tem vindo a formar um triângulo simétrico nos últimos meses. A falta de força ascendente durante a sua constituição foi notória pelas poucas abordagens à linha limite superior. Também os volumes foram concisos durante a consolidação, sempre decrescentes.
Estes factos permitiam antever uma quebra em baixa. Infelizmente não quebrou antes dos 3/4, o que lhe retira alguma fiabilidade. No entanto, a literatura é clara neste aspecto. Se um triângulo simétrico não quebrar antes do último 1/4 mantém a validade, apenas a projecção não é tão rigorosa já que o movimento perde fulgor.

Após a quebra, produziu 4 velas negras, com volumes crescentes. As últimas três produziram longas sombras inferiores, o que nos mostra a força compradora abaixo destes valores. Mesmo assim as cotações continuam a cair, e estas velas têm-se regido por lower-lows e lower highs. Até que esse padrão bearish seja contrariado, não podemos sequer pensar num ressalto.
Esse ressalto pode aparecerem em breve (a notícia da distribuição de dividendos pode ajudar a um ressalto, à semelhança do que aconteceu com a REN), mas não deverá ser esquecido que estamos em pleno bear market e todas as subidas são oportunidades para shortar. Uma subida até ao vértice deste triângulo constituiria uma óptima oportunidade de entrada curta, já que fica imediatamente antes do último máximo relativo. Este factor, aliado à resistência que o vértice dos triângulos simétricos proporciona, prometeria uma entrada com muito potencial. Quanto a entradas longas, ainda me parece muito cedo para falar sobre isso. Nada do que vejo actualmente me leva a pensar que estejamos perto de um ponto de viragem. Aguardemos, chegará o dia, mais cedo ou mais tarde.

Em relação ao ressalto dos índices que há-de estar para chegar, vou tentar escrever sobre isso durante esta semana. Tenho estado de férias e vou-me manter nas próximas duas semanas. Isto faz com que o meu tempo disponível para estar frente ao computador seja pouco… No entanto, prometo que as análises semanais serão mantidas com normalidade e vou tentar publicar pelo menos dois posts por semana. Para já, aproveito o momento de incerteza bolsista para me dedicar a outras actividades bem menos abstractas:)

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  • Bruno 08 / 03 / 2009 Reply

    “Perdoem-me esta pequena palestra sobre dividendos, é que eu continuo sem entender muito bem o porquê das entradas especulativas para a caça ao dividendo…”

    Eu entendo o que dizes, mas imagina isto, tens bastante capital e só vais para a bolsa com 50% desse capital. Estás 100% fora do mercado, ou seja 90% em depósitos a prazo e 10% à ordem.
    Os juros vão para 2% (brutos) ou seja quase nada.
    Tu vês a EDP com um preço interessante para longo prazo e com uma taxa de dividendo interessante.
    Eu sou a favor de se ir construindo uma posição para se substituir 10% dos DPs.

    O resto do capital só irá para a bolsa quando houver sinal técnico.

    Claro que esta estratégia é feita com uma EDP não com uma sonae industria.

    PS. O teu blogue está cada vez melhor.
    Boas férias!

  • Tiago Esteves 08 / 03 / 2009 Reply

    Olá Bruno,
    O que dizes faz todo o sentido. Repara que na análise eu salientei a bold “entradas especulativas”. Porque a corrida que se assiste no pré-dividendo e a fuga no pós-dividendo indicam que uma parte dos investidores se posiciona apenas pelo dividendo.

    A construção de um portfolio com empresas que distribuam dividendos generosos de forma regular faz todo o sentido para mim, mesmo não sendo um adepto do buy and hold.

    Comprando uma empresa sólida, a distribuir um dividendo de 5% ao ano, num momento de crise económica podemos estar a aliar duas formas de investimento com graus de risco completamente diferentes. Mas haveria muito para dizer a esse respeito e eu prefiro não entrar por aí para já:)

    Abraço

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