Análise Semanal – EDPR

Tiago Esteves
A EDPR foi a vencedora da sondagem desta semana. A última análise a esta cotada foi há mais de três meses, mas não se pode dizer que hajam muitas modificações relativamente ao que havia sido visto. Desde essa altura, uma importante resistência acabou por ser quebrada em alta e as cotações caminharam apressadamente até um importante ponto de referência, mantendo intacto o padrão de higher-lows/higher-highs.

Esse ponto de referência é, claro está, a zona de resistência que se situa entre os 7,65-8€. Como seria expectável, a EDPR não foi capaz de ultrapassar essa zona em alta à primeira tentativa. Para os mais distraídos, essa zona representa o primeiro dia de negociação dos títulos em bolsa. O máximo e o mínimo do dia, valores que suportaram as cotações durante quase um mês, até que a inevitável quebra em baixa surgiu. Os subscritores dos títulos da EDPR, que pagaram 8€ por acção, chegaram a estar a perder quase 60% num curto período de 4 meses. Habituados a OPV’s caracterizadas pelo lucro fácil, este movimento descendente marcou psicologicamente muitos desses investidores. Uma parte deles suportou a queda durante todos estes meses, na esperança de vender sem perdas. Agora que a cotação se aproxima novamente dos 8€, a pressão vendedora será grande e a quebra em alta só acontecerá quando a maior parte desses investidores conseguir desfazer-se dos seus títulos.

Continuando a analisar a parte técnica, rapidamente percebemos que nos últimos dois meses temos estado a lateralizar num range bem definido, com menos de 15% de amplitude. O bull mode que o título vive continua intacto, sem sinais de compromisso. Prova disso são os já referidos máximos e mínimos relativos cada vez mais altos que, para já, continuam invioláveis. Existe uma LTa que poderia ser considerada, unindo dois dos mínimos relativos mais proeminentes. Mas como o terceiro toque com reacção não chegou a acontecer, não me parece correcto estar a exacerbar a quebra de uma linha tecnicamente pouco válida. O padrão de referência para nos guiar no momentum da EDPR deverá ser o de máximos/mínimos relativos, já que foi este que acompanhou fielmente todo o percurso ascendente desta cotada.

Actualmente, além da consolidação (repare-se nas semelhanças com a anterior consolidação), parece estar em formação um triângulo horizontal de baixa. Estes triângulos, com a base delimitada por um pequeno suporte, estão muitas vezes associados a topos de movimentos. Este dado, a somar à forte resistência psicológica que se encontra acima do actual ponto, faz-me ficar negativo nesta empresa no médio prazo. Só entraria longo nela caso a zona de resistência fosse quebrada definitivamente e de forma consistente. Sinceramente, duvido que aconteça tão cedo. Para a shortar, aguardaria um de dois acontecimentos. Por um lado, shortaria a quebra do referido padrão de máximos/mínimos relativos. Por outro, shortaria uma nova visita à zona de resistência.

Para terminar, apenas um pequeno comentário: reparem que, um ano após a colocação em bolsa, o gráfico da EDPR começa finalmente a parecer-se com um gráfico e a permitir análises mais detalhadas. E com o seu comportamento tecnicamente correcto, pode vir a tornar-se um interessante foco de análise.

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