Análise Semanal – Galp

Tiago Esteves

Terminadas as férias, é com satisfação que constato que a Galp venceu mais uma sondagem semanal. O seu comportamento tecnicamente correcto torna-a num excelente objecto de estudo para quem gosta de análise técnica.

Na última análise eu tinha realçado a importância da LTd que se vinha a formar, e como a sua quebra efectiva poderia ser considerada a primeira evidência do fim do bull. Essa LT acabou mesmo por ser quebrada, embora tenha acontecido com mais inércia do que convicção. Contrariamente ao que aconteceu com algumas cotadas durante a passada semana, neste caso a subida aconteceu com volumes relativamente baixos. Mesmo assim, esta quebra não deve ser ignorada. Não só pela relevância técnica que esta linha contém mas também porque o anterior bull market terminou exactamente da mesma forma, com aparente inércia na quebra da LTa, surgindo o pico de volumes poucos dias depois.

Actualmente a cotação encontra-se num ponto delicado. Após ter quebrado a LTd, está entre a importante zona de resistência e a LTa (a vermelho), que tem vindo a ganhar consistência. Qualquer movimento brusco terá como resultado a quebra de um desses pontos de referência. Inevitavelmente a quebra surgirá, já que elas estão a convergir e muito em breve irão encontrar-se.
Sem tentar antecipar o próximo passo, diria que a probabilidade de quebra ascendente é mais elevada. Isto porquê? Ora, estando a LTd quebrada a tendência vigente deixou de ser bearish. Também não é ainda bullish, atenção! Mas a actual lateralização apoiada na (ainda ténue) LTa inclina o pêndulo da balança para o lado dos touros.

Existe outro padrão técnico que não deve ser desprezado, embora não tenha já a devida validade: o triângulo horizontal ascendente. Idealmente, este padrão teria no máximo 3 meses de duração e a quebra dar-se-ia entre os 2/3 e os 3/4. Como podemos constatar, ambas as condições estão já contrariadas, pelo que nem vale a pena falar em projecções. No entanto, os factores que levaram à sua constituição mantém-se. Este tipo de triângulos permitem antecipar o sentido do movimento subsequente, pois é esperado que o corte ocorra na linha horizontal. Isto porquê? Porque a força compradora vai-se acentuando (acompanhando a LT) e a força vendedora mantêm-se estática (o que resulta numa subtracção de força após cada contacto). Quando o confronto acontece, a procura acaba normalmente por ultrapassar a oferta, dando-se a quebra. Embora a ausência das duas condições supra-citadas retirem significado e validade ao triângulo em si, a forma como a convergência de forças compradora/vendedora se está a dar favorece a quebra em alta.

Bem, na verdade há mais um factor que está a positivar o meu sentimento em relação à Galp. O benefício para a cotação de um aumento do preço do petróleo é conhecido por todos, nem vou alongar-me a falar sobre esse aspecto (até porque a análise já vai longa).
Esta semana o crude activou um fundo em W, quebrando a importante resistência dos 50 dólares. Também neste caso os volumes não foram muito elevados, pelo contrário. Até têm sido decrescentes durante a subida, o que pode evidenciar um falso break. De qualquer forma, a ser activado, este padrão atiraria as cotações para os 70 dólares, zona de resistência. Uma subida desta ordem no crude deixaria marcas muito positivas na cotação da Galp…

Para os próximos dias, será de vigiar a quebra da resistência ou da LTa. Estarei curto abaixo da LTa e longo acima da resistência. Honestamente, sentir-me-ia mas confortável ficando longo…
Mesmo que a resistência seja quebrada, os índices continuam em bear mode, por isso toda a prudência será pouca! Um stop abaixo da zona de resistência (ao ser quebrada passará a ser uma zona de suporte) vai proteger-nos de um eventual movimento contrário, com uma perda máxima de cerca de 3%. Até à zona de resistência dos 10,82€ não existe qualquer obstáculo e são quase 20% de caminho. Essa sim, será uma resistência dura de roer…

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