Análise Semanal – Inapa

Tiago Esteves

A vencedora da sondagem semanal foi a Inapa. Desde a última análise que lhe fiz, muitas foram as novidades. Como ficou explícito nessa análise, a Inapa é mesmo uma velha paixão e acompanho-a com alguma regularidade. Na altura estava extremamente pessimista em relação ao seu futuro, e não era para menos. Tudo parecia terrivelmente depressivo, sem motivo para sorrisos. Curiosamente, o fundo deu-se um mês depois desse post ter sido escrito. E em Abril, algo inédito aconteceu. Um suporte foi consistentemente quebrado, algo que não havia acontecido nos últimos nove anos!

Esse foi o primeiro sinal de força e o mercado deu-lhe o devido crédito. Coincidência ou não, no dia seguinte uma subida de 15% quebrou de forma consistente a LTd que vinha a pautar este bear market. Mesmo não tendo apanhado o bottom, quem identificou e comprou segundo esses dois sinais leva já uma valorização superior a 100%. É algo desse género que eu procuro quando analiso os títulos que parecem nunca mais atingir um fundo: sinais visíveis de inversão, mais concretos do que a subjectiva esperança.

O melhor de toda esta subida tem sido o volume. Esmagador, crescente, sinal do entusiasmo quase irracional que se tem vivido em torno deste e de outros títulos semelhantes. Quase me atrevo a dizer que tanto entusiasmo tem um “quê” de bolha especulativa! Não só nesta, mas em dezenas de empresas que já multiplicaram o seu valor desde que atingiram o mínimo do ano.

Analisando o ponto actual, estamos a aproximar-nos de uma zona de resistência. Se a incrível força ascendente se mantiver, não terá grandes dificuldades em ultrapassar este obstáculo. Mas sem dúvida que o mais salutar seria uma correcção, pelo menos até aos 38,2% de Fibo (repare-se que tracei o fibo retracement tendo em conta a zona de resistência e não a partir do máximo relativo). Se a zona de resistência for ultrapassada, o mais provável será a aproximação à unidade. Aí sim, surgirão muitos vendedores e será o teste de fogo a este movimento ascendente. A componente psicológica desse valor é enorme, já que foi a 1€ que foram emitidos milhões de novos títulos. E os donos desses títulos que não venderam a perder numa fase inicial, aguentaram uma perda que chegou a 75%. Serão esses os primeiros a querer vender, fechando definitivamente um negócio que chegou a ter contornos de pesadelo.

Apesar de a subida já ir com uma valorização superior a 170% desde os mínimos, se traçarmos uma extensão de Fibonacci desde o início do bear market ainda não atingimos sequer os 38,2%. Essa seria a fronteira entre um ressalto preparatório para novas quedas e algo mais que isso. Para já, os motivos de preocupação para quem está dentro ainda são poucos. O único que encontrei foi um pico de volume no dia da queda de 6%. Isto poderá indiciar distribuição, embora seja anda cedo para colocarmos realmente essa possibilidade em cima da mesa. Até porque os sinais de distribuição costumam ser discretos, para não afugentar os pequenos investidores.

Para quem está de fora, eu aconselharia aguardar com alguma prudência. É possível que esteja a chegar uma correcção mais vistosa, possivelmente até aos 0,50€. Caso as cotações encontrem aí suporte, pode vir a ser um bom ponto de compra. A outra possibilidade será aguardar em alta a quebra da zona de resistência, entre esse ponto e o 1€ a valorização potencial é de 20%. Para quem está dentro, pode ser sensato sair na zona de resistência e entrar num dos dois pontos atrás assinalados. Uma vez mais, o movimento já vai esticado e o vento nos mercados internacionais parece estar a querer mudar de rumo…

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  • Anónimo 07 / 06 / 2009 Reply

    Bom dia Tiago, estás bom? Parabéns por mais esta excelente analise, vou reter os pontos chave e ver se a acção se comporta como esperado de forma a tentar, eventualmente, aproveitar uma retracção e assim aproveitar uma eventual puxada para ganhar algum €€, já que este movimento não deu grandes hipóteses, é impressionante a violência das subidas…
    Tiago, vou mais uma vez aproveitar para te colocar duas questões:
    1. Ultimamente tenho tentado esclarecer um ponto que focaste nesta analise da Inapa e que gostava de ver esclarecido, refiro-me ao indicador de Acumulação/Distribuição, que tipo de indicador usas para medir, como analisas este ponto?
    2. Da ultima vez que trocamos impressões falamos da forma como procedias na analise das oportunidades de negócios, ficando perfeitamente clara a forma que utilizavas, mas há uma duvida que me persiste, no meio da tuas analises onde fica a analise fundamental, ou seja, que grau de importância dás à analise fundamental de uma acção, ou só a utilizas para entradas de longo prazo, baseando-te única e exclusivamente na analise técnica para as entradas de curto prazo? Não sei se me fiz entender nesta questão mas, p.ex. no portfolio que tens no CI, que importância deste à analise fundamental para todas as tuas entradas? Também procedes da mesma maneira nas entradas reais?

    Desde já obrigado pela atenção.

    Abraço

    Daniel Sousa.
    (Dansousa)

  • Tiago Esteves 08 / 06 / 2009 Reply

    Olá Daniel,

    Obrigado, uma vez mais, pelo teu comentário.
    Respondendo concretamente às tuas questões, eu não costumo acompanhar com muita atenção os indicadores de acumulação/distribuição. Isto porque é mais fácil seguir-me directamente pelo volume para o fazer.

    No entanto, podes utilizar um indicador que se chama mesmo acumulação/distribuição. É dos primeiros na lista de indicadores do Prorealtime. Este indicador compara o volume nos dias de descida com os dias de subida. Quando a linha é ascendente estamos em acumulação, e o contrário para distribuição.

    O real interesse deste indicador prende-se com as divergências, ou seja, quando há volume mas não há mexidas na cotação. Se fores dar uma vista de olhos, repara no espantoso disparo que o indicador teve com a Inapa.

    No que diz respeito à tua outra questão, eu baseio-me quase totalmente na AT. Não sou um fundamentalista, nem os conhecimentos que tenho mo permitiriam. Apenas me interessa a análise macroeconómica, para tomar as decisões de médio e longo prazo.
    Quando faço entradas ou julgamentos com base na AF geralmente a coisa corre mal.

    Bem, além da macroeconomia também gosto de me manter a par da análise sectorial, apostar nos sectores mais promissores ou shortar os mais críticos. Mas análises a empresas individuais… prefiro não ir por aí.

    O portfolio do CI tem algumas diferenças em relação ao meu portfolio real, tal como a forma como eu o conduzo. Mas, regra geral, os motivos que me levam a entrar nos títulos que lá apresento são os mesmos que me levam a entrar nos títulos que constituem a minha carteira real.

    Espero que te tenha ajudado.

    Abraço,
    Tiago

  • Daniel 08 / 06 / 2009 Reply

    Olá Tiago, pensei que já te tinha respondido mas pelo que vejo alguma coisa falhou porque entretanto já me respondeste a uma mensagem posterior e não me respondeste à que achava que tinha colocado, então cá vai:

    Em primeiro lugar agradeço-te a pronta resposta e depois deixa-me perguntar-te o seguinte:
    1.De que forma acompanhas o "indicador" de distribuição/acumulação através do comportamento dos volumes?
    2.De que forma procedes para analise sectorial? Que ferramentas/dados/elementos utilizas?

    Abraço.

    Daniel Sousa.

  • Tiago Esteves 08 / 06 / 2009 Reply

    Olá Daniel,

    Ainda não tinha recebido essas questões, deve ter havido uma falha na transmissão.
    Respondendo ao que perguntas, o indicador em si é baseado nos volumes, eu só faço a análise grosseira. Quando volumes elevados se associam a quebras em alta compro, quando se associam a quebras em baixa vendo.

    Em relação à análise sectorial, depende muito do sector. Olha o exemplo dos petrolíferos. Acompanho os factores macroeconómicos como pontos de tensão em zona de conflitos, preço da matéria prima, relação eur/usd, stocks, etc…
    Como podes ver, varia mesmo muito de sector para sector. De qualquer forma, acompanho apenas os mais importantes.

    Abraço,
    Tiago

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