Análise Semanal – Portucel

Tiago Esteves

A vencedora da análise semanal foi a Portucel. O momento de euforia dos mercados internacionais parece estar a passar ao lado desta cotada, que ainda há bem pouco tempo fez novos mínimos. Comecemos por aí. Entre Novembro e Janeiro, veio-se a desenhar um suporte que parecia ser bastante consistente. Colocou-se a possibilidade de estar a formar-se um duplo fundo, mais tarde falou-se em triplo fundo… o que é certo é que esse suporte que parecia sólido acabou por quebrar. A quebra nem foi acentuada, mas a inércia e o esgotar progressivo da força compradora mostraram-se mais fortes.

Desde aí, todas as reacções têm sido anémicas e sempre acompanhadas por volumes decrescentes. Isto não é nada bom, sobretudo se analisarmos o actual momento. Se o título não esboça um reacção antes do pagamento de um generoso dividendo nem quando todos os outros títulos sobem, quando é que vamos assistir a um ressalto digno desse nome? Não sei… só sei que não colocaria dinheiro aqui, esperando por um ressalto que pode nem chegar.

Como é visível, o gráfico ainda não sofreu a correcção relativa ao dividendo. Isto levanta uma curiosa questão, se o gráfico deve ou não ser corrigido após o pagamento do dividendo. Por um lado, se não se corrigir ficamos com a ideia que houve uma queda brusca em gap down. Isso seria grave e faria-nos incorrer em falsos juízos. Por outro lado, corrigindo o gráfico anulam-se factores cruciais como o exacto traçado de suportes/resistências. No fundo, eles deixam de se encontrar no local que lhes conferiu o significado psicológico e por isso perdem muito do seu valor.

Teorias à parte, continuemos na Portucel. Se o suporte for quebrado, e tudo neste momento aponta nesse sentido, voltaremos a mínimos. Tendo em conta que nos poderemos estar a aproximar de um momento de correcção desta euforia, é possível que a portucel vá com a corrente. Se conseguir aguentar essa pressão e começar a subir, só ficarei positivo nela após ter ultrapassado com sucesso três obstáculos:
– A zona de resistência;
– A linha originária do vértice do triângulo simétrico;
– A Linha de tendência descendente.

Embora sejam mais de 20% até este último obstáculo, há muitas e melhores opções por aí neste momento para investir. Tecnicamente está bastante fragilizada e nada do que vejo me leva a desejar comprá-la nos próximos tempos…

Deixe uma resposta