Angola passa a vender Títulos do Tesouro pela internet

Agência Lusa

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O Governo angolano anunciou hoje que vai passar a disponibilizar um portal na internet para a compra, online, de Títulos do Tesouro, acessível para pessoas singulares ou empresas, “desde que tenham conta bancária em Angola”.

Denominado Portal do Investidor, o sistema será apresentado publicamente hoje, em Luanda, pelo Ministério das Finanças, e visa, segundo informação do Governo angolano, “promover uma maior dinamização e democratização” no acesso à emissão de Títulos Públicos, atualmente feita apenas através dos bancos comerciais.

Além disso, sublinha a nota do Ministério das Finanças enviada à Lusa, vai permitir “aumentar e melhorar o nível de literacia financeira” no país, “fomentando assim a cultura da poupança com produtos financeiros de dual rentabilidade”, para os investidores e para o Estado angolano.

“Esta é uma ferramenta de poupança que visa captar a atenção de investidores nacionais que anteriormente manifestavam muitas dificuldades em realizar a compra de Bilhetes e Obrigações do Tesouro”, refere a mesma informação.

Atualmente, segundo dados do Banco Nacional de Angola, o Estado angolano paga entre 16,15% e 23,90% de juros ao ano por Bilhetes de Tesouro com maturidades de 91 a 364 dias.

Nas emissões de Obrigações do Tesouro, os juros chegam aos 7,75% ao ano, para maturidades de cinco anos.

Segundo o Ministério das Finanças, com o Portal do Investidor será possível a compra de títulos do tesouro online, com o pagamento a ser feito através da rede ATM.

De acordo com o Orçamento Geral do Estado para 2018, mais de 50% das despesas públicas para este ano, equivalente a 5,073 biliões de kwanzas (17.700 milhões de euros) dizem respeito à rubrica “Operações De Dívida Pública”.

Em causa estão sobretudo operações com dívida pública interna (Bilhetes e Títulos do Tesouro), enquanto as operações da dívida pública externa representam apenas 19,73% do total.

Angola necessita para este ano de um volume de endividamento correspondente a 1,100 biliões (milhões de milhões) de kwanzas (3.800 milhões de euros) de necessidades líquidas de financiamento, nomeadamente para cobrir o défice de 3,4% do PIB estimado para 2018, e para aquisição de ativos financeiros, por 403,4 mil milhões de kwanzas (1.400 milhões de euros).

Acrescem 4,153 biliões de kwanzas (14.500 milhões de euros) que Angola necessitará para garantir amortizações de dívida, interna e externa, durante todo o ano de 2018.

PVJ // SB

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