Análise semanal – BCP

Tiago Esteves

Esta semana fica marcada por uma turbulência histórica nos mercados. Decisões polémicas, subidas alucinantes… Certamente será uma semana que vai ser recordada por muitos anos, entre os investidores.
O BCP foi apanhado exactamente no meio do turbilhão. Pertencendo ao sector da banca, aproveitou a boleia e teve uma enorme subida na última sessão. Curiosamente, tenho ouvido várias pessoas dizer que tem sido dos bancos menos penalizados durante toda esta crise internacional. Até que ponto isto é verdade? Ainda as financeiras caíam muito devagarinho, já o BCP havia iniciado a sua descida. A um rítmo muito rápido, fruto de toda a roupa suja que se lavou em público. Todos os dias saíam más notícias, todos os dias se afundava mais um bocado. Chegou a um ponto que poucas notícias teriam o poder de o abalar. Por isso, quando todos os outros bancos caíam mais abruptamente, o BCP ia-se aguentando com perdas menores. Desde o pico do Bull market até ao bottom, temos uma desvalorização de cerca de 73%. Em números redondos, para fazer uma rápida comparação, o BES caiu cerca de 60%, o BPI 70% e instituições como a Merril Lynch e o Citigroup cairam cerca de 80%. No fundo, o sector tem sido penalizado de forma bastante similar (independentemente de uns cometerem os erros e os outros nem por isso).

Tecnicamente, já tinha olhado para ele com algum interesse. Embora tenha evitado negociar empresas dos sectores mais problemáticos pela sua enorme volatilidade, não tenho descartado a ideia de comprar algumas acções para o longo prazo.
Parece ter iniciado em Junho a construção de um fundo arredondado. Para quem não sabe, o fundo arredondado é um padrão de inversão de tendência. Chega a uma determinada altura, a força vendedora começa a esgotar-se e vêem-se os primeiros sinais de inversão. Lentamente a cotação começa a subir, sem euforias nem pressas. Desde o início do padrão até que este esteja completo, pode passar mais de um ano (não quer dizer que demore sempre assim tanto tempo).
O volume também tem uma forma arredondada, simbolizando inicialmente a diminuição progressiva da pressão vendedora, depois a apatia e finalmente o entusiasmo e a euforia de uma reviravolta.
É importante salientar que movimentos como o da última sessão (pico de volume com elevação brusca da cotação) são contemplados neste padrão e são perfeitamente normais. Não incluí o pico de volume da última sessão no desenho que fiz no volume propositadamente, porque creio que a última sessão representou um movimento único, que não deverá ter seguimento.
Em relação à LTd traçada a vermelho, é mais uma linha indicativa, com pouca validade. Mas mesmo com pouca validade pode vir a tornar-se uma resistência considerável para as próximas sessões.

Quando é que eu entrarei no BCP? Se as actuais condições se mantiverem, há dois pontos que tenho como referência:
– O primeiro é a resistência nos 1,54. É possível que a cotação só pare lá nos próximos tempos. Será um excelente sinal de força se conseguir quebrar esta resistência. Mas para me convencer definitivamente, tem de quebrar a linha verde tracejada desenhada no gráfico. Se a quebrar com volume, fico convencido de que a inversão está consumada. Para quem pensa que ainda falta muito para chegar lá, recordo que com uma entrada nesse ponto e com uma hipotética subida de 100% após esse ponto, estaríamos ao nível do break point de alguns dos chamados “tubarões”. 100% não é assim tão pouco… Pior seria entrar agora e vê-la cair até ao suporte para só depois recomeçar a subir. E esse é o meu outro ponto de referência.
– Pois é, se estivéssemos numa de palpites eu iria por aí. Embora ainda não tenhamos qualquer pista a esse respeito, eu não coloco de parte a formação de uma Cup & Handle. Isso implicaria uma descida até ao suporte e, aí sim, seria de comprar. Dado o valor e a enorme força do suporte, seria um excelente ponto de entrada. Nesse caso não seria de todo descabido comprar antes da confirmação do padrão porque o suporte é mesmo muito forte (o que faz a relação risco/benefício ser bastante proveitosa).

Uma entrada agora, neste actual contexto de instabilidade internacional, parece-me descabida e precipitada. Há muita margem de subida e não deve haver pressa para ganhar tudo hoje. A pressa é inimiga da perfeição e isso em bolsa pode levar à ruína…

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