Análise semanal – Cimpor, Teixeira Duarte e Mota Engil

Tiago Esteves

Pela primeira vez tivemos um empate na votação semanal. E logo um empate a três! Como eu estou quase a ir de férias, decidi não desempatar, vou fazer uma pequena análise às três como bónus pelo período em que vou estar ausente.
A votação desta vez não vai ser até à próxima semana, vou fazer algo diferente. Como no próximo fim de semana já não devo estar disponível para fazer a análise, vou deixar a votação aberta até ao dia 26 de Outubro. Também não teremos 5 empresas, mas todas as constituíntes do PSI. As três primeiras classificadas serão as empresas sujeitas a análise quando eu regressar de férias. Como vai haver 3 vencedoras, parece-me bem que cada pessoa possa votar em mais que uma opção.
Bem, vamos então à análise semanal.

CIMPOR
Após um bull market que durou quatro anos, a Cimpor viu o seu ciclo de subidas claramente terminado quando no início deste ano quebrou a LTa de longo prazo. Esse movimento foi claramente confirmado em Maio, quando essa LTa serviu de resistência a mais subidas. A partir daí foi o descalabro, uma queda de quase 40% num mês.
Como muitos outros títulos do PSI-20, encontra-se neste momento numa zona de consolidação após esse período de quedas abruptas. Também ela está a desenhar um triângulo simétrico que, quando quebrado com consistência, a poderá levar para a zona dos 3,5€. A linha de base do triângulo foi violada na última sessão, com volume significativo. É mais um mau sinal para um título que já de si se encontra em más condições técnicas. Infelizmente não é possível shortar, senão poderia proporcionar uma boa oportunidade em caso de quebra dos 4€.

Teixeira Duarte
Mais uma análise, pouco mais a dizer. Um cenário bastante negro, após a LTa de longo prazo. Desde o ponto mais alto do bull até ao ponto mais baixo, a desvalorização foi superior a 80%.
Olhando para o gráfico desde Julho de 2007, nota-se claramente a tendência descendente. A primeira LTd a formar-se acabou por ser quebrada com um pico de volume, não sendo no entanto suficiente para reverter a tendência.
É visivel um padrão de fundos relativos. Sempre que acontece um desses padrões, existe um pequeno rally ascendente, seguindo de nova tendência de estagnação e quebra do suporte entretanto criado pelo fundo. Neste momento temos um fundo nos 0,75 e uma zona de resistência entre 1,09-1,25. Desde o mais recente fundo, temos um decréscimo evidente nos volumes. Como sabemos, a inércia faz com que as cotações caiam. Esta descrença/falta de entusiasmo no título não é nada salutar e pode significar que se as coisas não melhorarem no panorama internacional, podemos em breve quebrar o suporte e ver a TDU novamente em maus lençóis

Mota Engil
Neste caso, vou analisar apenas os últimos desenvolvimentos, pois já a analisei uma série de vezes e mantém-se tudo muito semelhante. Desde a última vez que a analisei, acabou por acontecer o que eu tinha referido como problemático. O suporte dos 3,4 acabou por ser quebrado e ela deslizou até aos 3€, o suporte que estava mais abaixo. Acabou por aguentar a cotação durante a última semana mas não sei se será suficiente para a aguentar durante esta semana, se voltarmos às quedas. Esboçou uma reacção positiva, mas extremamente anémica, com um volume miserável. As duas últimas sessões da semana tiveram um volume elevado, o que não é nada positivo tendo em conta que foram dias de queda. Para as próximas sessões, vamos ter de esperar para ver se o suporte dos 3€ aguenta a pressão. Se aguentar, pode haver uma reacção até à resistência nos 3,40. Se não aguentar, a próxima paragem é nos 2,50.

A ter em conta
Não é novidade nenhuma que os mercados internacionais vivem tempos conturbados.
A crise económica com epicentro na América, já contaminou a Europa. Novas medidas surgem a cada dia que passa, poucas parecem convencer os mercados da sua utilidade. A mais recente e importante foi a aprovação do plano Paulson. Já o referi em outros locais, apesar da aparente injustiça social foi uma medida necessária. É certo que os efeitos da execução deste plano levarão tempo a fazer-se sentir mas 700 biliões é muito dinheiro…
Em relação aos índices, toda a gente está atenta ao SP500. Ele é o “pulso” da crise. Está neste momento em mínimos, embora sobre um suporte (gráfico mensal) que pode trazer uma reacção. O VIX está a fazer um número recorde de sessões acima de 40, pode ser um sinal de que estamos perto de um ressalto.
Dou muita importância ao VIX pois ele materializa um dos principais vectores do mercado: o medo.
Quando o pânico se instala, as pessoas perdem a racionalidade e não aguentam a pressão. Depois, a poeira assenta e começam a aparecer compradores (muitas vezes porque pensam que as quedas já vão longas e é altura de entrar). Criam-se assim as condições para um Bear market rally. Pelo que temos assistido nas últimas semanas, parece-me que isto poderá estar para acontecer.
Este movimento é também conhecido por bull trap. São autênticas armadilhas porque fazem-nos acreditar que podemos ter chegado ao fundo do poço. Atraem os mais audazes, como o canto de uma sereia, para logo a seguir os prenderem numa súbita queda das cotações.
A acontecer, este ressalto deverá servir para fechar posições longas incómodas que ainda estão abertas e reforçar as curtas. Nunca para abrir novas posições longas.

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