Análise Semanal – Galp

Tiago Esteves

A vencedora da semana foi a Galp, ganhando por apenas um voto à Portucel.
Antes de começar com a análise propriamente dita, vamos falar um pouco sobre pontos de suporte. Um suporte é um ponto que, por uma oscilação positiva nas cotações, marcou os investidores e especuladores. Muitas vezes surge após ter havido uma subida considerável ou por se ter dado uma inversão de tendência descendente.
Ao ser atingido mais tarde, esse ponto vai ser recordado pelos investidores. Para alguns, pelo dinheiro que ganharam. Para outros, pelo dinheiro que poderiam ter ganho.
Há pouco mais de dois anos atrás, a Galp foi colocada em bolsa por 6€. A operação foi um autêntico sucesso e praticamente todos os que subscreveram acções tiveram lucro. Os que as aguentaram até à explosão pós-tupi conseguiram duplicar ou mesmo triplicar o seu investimento no espaço de um ano.
Todos esses investidores que participaram no lançamento em bolsa tiveram a oportunidade de rever a cotação há pouco tempo atrás ao mesmo valor que lhes tinha proporcionado um excelente negócio. É óbvio que os lucros conseguidos no passado vieram ao pensamento e muitos desses investidores reentraram na Galp.
Essa força compradora nos 6€ conseguiu inverter uma queda espantosa de 53% no espaço de um mês. E com a velocidade que caiu, rapidamente voltou a recuperar e já soma uma subida de 42% desde o fundo.
A grande questão neste momento é: inversão de tendência ou correcção técnica?
Bem, na verdade é difícil sabermos com clareza. Ao analisá-la apercebi-me que dois cenários completamente distintos poderão estar em construção. É neles que nos vamos debruçar um pouco

Cenário 1: Reversal H&S
Este é o cenário em que os nossos cérebros bullistas querem pensar. Segundo este cenário, atingimos o fundo nos 6€ e estamos perto de quebrar a neckline de um monstruoso H&S invertido com uma projecção a apontar para a sólida resistência dos 14€.
Aparentemente, tem tudo para dar certo. Todos os seus constituintes se encontram presentes, como mandam as regras. Quer dizer… todos menos um. O volume.
E é este “pequeno” pormenor que me faz olhar com alguma cautela para este cenário. Num H&S invertido o volume é extremamente importante, muito mais do que no convencional H&S. Isto porquê? Porque para existirem quedas é apenas necessária a inércia da cotação, enquanto para as subidas com solidez é necessário que a força compradora aumente visivelmente.
Num cenário ideal, o volume teria de aumentar após a constituição da cabeça e aumentar ainda mais após a formação do segundo ombro. Neste caso, tal não se verifica. À excepção das três últimas sessões (duas de descida e só uma de subida), o volume é mediano. Alguns autores defendem que uma H&S invertida sem correspondência do volume deve ser ignorada.
Eu não a ignoraria, porque ainda pode acontecer algo encorajador: A quebra da neckline com um aumento drástico de volume. Se em todas as H&S invertidas este acontecimento é importante, nesta assume-se como fundamental. Se o volume não aumentar significativamente na rotura da neckline, estamos perante uma figura sem validade, pelo que a projecção deve ser ignorada.

Cenário 2: Triângulo em formação
O segundo cenário seria um hipotético triângulo simétrico que se encontra em formação. Digo hipotético pois é cedo de mais para se concluir que um triângulo vai ser construído, mas pode vir a acontecer. Se assim fosse, as cotações não poderiam ultrapassar a linha limite superior e teriam de se retrair até perto dos 6€ novamente. A linha a tracejado é neste momento uma LTa de curto/médio prazo, que teria de ser quebrada para este triângulo ganhar pernas para andar.
Como se esperaria num cenário destes, os volumes são crescentes na descida e depois vão diminuindo à medida que a figura se constrói. De qualquer forma, é só ainda uma possibilidade, com muitas provas a dar antes de poder ser encarada com mais realismo.

Estamos num ponto-chave para se decifrar o que vai acontecer no médio prazo. Dos dois cenários que construí, nenhum me satisfaz na totalidade. Ambos são vagos e contêm incongruências que não me agradam. Neste momento não tenho qualquer posição na Galp e assim devo continuar por mais algum tempo. Existem duas possibilidades que me levarão a entrar longo: Uma quebra em alta dos 9€ com volume ou uma retracção até aos 6€. Se conseguir aproximar-se da zona dos 10.8-11€, será uma excelente oportunidade para entrar curto, dada a força dessa resistência.
Para os próximos tempos, há que ter também em atenção esta divergência desde as duas últimas semanas entre o preço do crude e a cotação da Galp. É sem dúvida um sinal a ter em conta. Mas deixarei esse tema para outra altura, já que mais uma vez consegui quebrar a promessa de escrever uma análise curta e pouco maçuda 🙂

Lista de Comentários

  • rg7803 15 / 11 / 2008 Reply

    ola tiago, boas análises como é costume; parabéns!
    apenas umas notas:
    -no primeiro cenario (H&S) a neckline, por volta dos 9 euros, parece-te resistencia significativa? alguma força terá, pela menos na sexta susteve os touros…contudo não vejo representatividade histórica relevante quando andamos para trás; podemos no entanto considerá-la como "nova" resistencia
    -no teu paragrafoi final referes que só existem 2 cenarios para entrares longo: apos retracção à zona dos 6 euros (ok, concordo) ou apos quebra em alta dos 9 euros (aqui fiquei na duvida) – não quererás dizer 11 euros, pois esta sim é uma resistencia fortissima?
    abraço,
    rui

  • Tiago Esteves 16 / 11 / 2008 Reply

    Olá Rui, obrigado:)
    Bem, deixa lá ver se consigo esclarecer as tuas questões…
    Em relação aos 9 euros, não podemos falar ainda de uma resistência forte, como a dos 11, por exemplo. Mas se existe uma neckline a ser construída nesse valor, temos de a considerar. Pois uma neckline é sempre uma resistência (ou suporte, no caso das H&S convencionais), podendo ter mais ou menos força.
    Em relação à entrada longa na quebra dos 9€, repara que eu salientei a importância de ser feita com volume. Isto porque, como tinha dito mais acima, uma quebra dos 9€ com forte volume(que coincidem com a neckline) seriam a única forma de aquele H&S ser considerado. Se for quebrada mas sem volume significativo, não o considerarei como um sinal de entrada.
    Espero ter esclarecido.
    Abraço

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