As energias renováveis e a renovação governamental – Uma oportunidade de longo prazo

Tiago Esteves
Sabemos já que a política e os mercados andam de mãos dadas. Infelizmente para os mercados, que ficam dependentes das variações de humor dos ministros mais temperamentais.
Gostaria de assinalar que a transferência da pasta da energia para o ambiente poderá ter um impacto de médio e longo prazo na abordagem às energias renováveis. Não querendo fazer juízos antecipados relativamente às pessoas, aplaudo a decisão, que me parece um passo no sentido certo. Sendo nós já uma referência a nível Europeu na produção de energia de fontes renováveis, poderemos destacar-nos ainda mais.

Que empresas nacionais podem ser influenciadas por esta decisão? Desde logo, de forma discretamente negativa, a Galp. Sendo a única cotada que baseia a sua actividade maioritariamente em energias não renováveis e estando ainda consideravelmente exposta a Portugal, poderá de alguma forma ressentir-se no longo prazo se for confirmada a viragem de agulhas na política e na sociedade. Positivamente, a EDP Renováveis e a Martifer. Confesso que tenho vindo a desiludir-me com a postura dos novos donos da EDP no que diz respeito ao tema das renováveis. A venda de uma parte considerável na participação do parque eólico nacional levou-me a confirmar as minhas piores expectativas: a EDPR será desmantelada e absorvida pela casa-mãe. É uma pena, um desperdício, sobretudo tendo em consideração o enorme potencial de oportunidade que esta empresa tem em solo Americano. Perde a EDPR e a nossa bolsa, ganhará a EDP…

No que diz respeito à Martifer, o impacto de longo prazo deste género de medidas pode ser consideravelmente positivo. As coisas não têm vindo a estar fáceis por aqueles lados. Desde 2007 só conhece uma direcção, a descendente… E essa descida já lhe custou uma quebra de 95% no seu valor de mercado. A pesada situação financeira que a conduziu a esta situação continua a fazer-se notar e continua a provocar danos. Actualmente encontra-se a desenvolver esforços de desalavancagem, restruturação e concentração de actividade nas renováveis. É um processo difícil, moroso, mas não tenho dúvidas de que se encontra finalmente no trilho do sucesso.

Um maior focus do país nas renováveis, uma eventual absorção da EDP Renováveis pela casa mãe, um regresso da Martifer aos lucros bem como um eventual regresso ao PSI-20 seriao os ingredientes para finalmente se começar a vislumbrar um ponto de viragem nesta empresa. Será esta a altura de abrir uma posição na Martifer? Não, não me parece. Podemos perfeitamente chegar aos 30, 20 cêntimos, quem sabe onde parará a sangria… Mas vale definitivamente a pena manter um olho nesta empresa que cada vez está mais esquecida!

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