Ativos da banca em Angola reduziram crescimento de 17% em 2016 para 3% em 2017

Agência Lusa

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O valor total dos ativos dos 29 bancos que operavam em Angola em 2018 subiu 3% no ano passado, revelando uma forte queda face ao crescimento de 17% em 2016 e de 72% entre 2012 e 2017.

O retrato da banca em Angola, compilado pela consultora Deloitte em setembro, com base nos dados divulgados pelos 29 bancos que operavam no país até final do ano passado, mostra ainda que o crédito malparado, ou seja, aquele que os clientes estão a ter dificuldades em pagar, ultrapassou, incluindo todo o universo estatal, os 40%, revelando as dificuldades que a economia atravessa.

“O valor total dos ativos dos Bancos em análise ascendeu a 10.129.801 milhões de Kwanzas (cerca de 28 mil milhões de euros) no final do exercício de 2017, o que correspondeu a um crescimento de 3% face a 2016, constituindo por conseguinte um ritmo de crescimento bastante inferior ao verificado no ano de 2016, o qual ascendeu a 17%”, lê-se no 13º relatório anual da Deloitte sobre a banca angolana.

“O valor total dos ativos dos Bancos tem vindo a apresentar uma clara tendência de crescimento desde 2012, tendo-se verificado um aumento entre 2012 e 2017 de cerca de 72%”, aponta o documento, que dá conta de uma concentração significativa do negócio bancário em cinco bancos (Banco de Poupança e Crédito (BPC), Banco de Fomento Angola (BFA), Banco Angolano de Investimentos (BAI), Banco Millennium Atlântico (ATL) e Banco BIC), que detêm dois terços dos ativos bancários na terceira maior economia da África subsaariana.

Olhando para o crédito concedido durante 2017, os bancos emprestaram 3,1 biliões de kwanzas (aproximadamente 9 mil milhões de euros), o que mostra uma queda de 3% face ao valor de 2016 e comprova a tendência mista de subidas e descidas desde 2012, num aumento acumulado de 32%, explicado essencialmente pelas fortes subidas entre 2012 e 2016, segundo o relatório da Deloitte.

Na análise que fez à banca angolana, a Deloitte prevê que “os bancos angolanos mantenham como objetivo a melhoria dos processos de ‘compliance’ [cumprimentos das regras e regulamentos], combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo”, antecipando também que “mantenham o foco na criação de processos que permitam a gestão integrada e eficiente dos riscos associados à sua atividade, de modo a permitir, entre outros aspetos, a (i) redução dos níveis de incumprimento que se têm vindo a verificar, (ii) gestão equilibrada da sua posição cambial e (iii) melhoria dos seus níveis de liquidez”.

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