Banco BPI passa de prejuízos a lucros de 210 milhões de euros no 1.º trimestre

Agência Lusa

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O banco BPI teve lucros de 210 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, que comparam com prejuízos de 122 milhões de euros dos primeiros três meses de 2017, divulgou hoje o banco.

“Tivemos um bom primeiro trimestre”, disse o presidente executivo do banco, Pablo Forero, em conferência de imprensa, no Porto.

Em Portugal, o banco teve lucros de 118 milhões de euros, sendo que 58 milhões de euros foram conseguidos com resultados recorrentes e 60 milhões de euros com resultados não recorrentes que são decorrentes da venda da Viacer (empresa que detém 56% da Super Bock) ao grupo Violas.

Já 91 milhões de euros foi o contributo conseguido pelo BPI em Angola e Moçambique, onde tem operações em que tem posições minoritárias: 86 milhões de euros com o angolano BFA – Banco de Fomento de Angola e cinco milhões com o moçambicano BCI.

Ainda entre janeiro e março, o BPI conseguiu um produto comercial de 346 milhões de euros, sete vezes mais do que no primeiro trimestre de 2017.

A margem financeira cresceu 3,8% para 101,5 milhões de euros, ajudada pela redução do custo dos depósitos e do crescimento da carteira de crédito em Portugal, diz o BPI, enquanto as comissões avançaram 11,9% para 69 milhões de euros, referindo o banco que as comissões em base comparável (sem o BPI Alternative Fund, que deixou de ser consolidado nas contas desde março de 2017) subiram 8,1%.

Apenas as comissões bancárias (sem intermediação de seguros e gestão de ativos) subiram 13% para 50,1 milhões de euros. Na conferência de imprensa, Forero disse hoje que o principal motivo para as comissões subirem foi a “maior atividade dos clientes”, não valorizando alterações de precários.

O banco conseguiu ainda 66,5 milhões de euros em operações financeiras, bem acima dos 7,4 milhões conseguidos nos primeiros três meses de 2017.

Quanto às despesas, os custos de estrutura foram de 114 milhões de euros, menos 7% do que no primeiro trimestre de 2017, com os custos com pessoal a baixarem 17% para 63,6 milhões de euros.

O banco fechou março com 4.896 trabalhadores, menos 34 do que em dezembro de 2017. Forero disse hoje que estas saídas são referentes a funcionários que já tinham chegado a acordo com o banco no ano passado, no âmbito das rescisões então acordadas, e que no total do ano sairão 80 pessoas do BPI neste âmbito.

Quanto a balcões, o banco tem 431, depois do fecho de dois no primeiro trimestre, além de 39 centros de investimento e 35 centros de empresas.

Já os gastos gerais administrativos subiram 11% para 45,2 milhões de euros, o que o banco justifica com investimentos em tecnologias e custos legais, entre outros, “necessários à execução do plano de sinergias” entre o BPI e o CaixaBank.

Olhando para o balanço, na atividade consolidada, o crédito a clientes era em final de março de 2018 de 22.085 milhões de euros, abaixo mais de 600 milhões de euros do valor registado em março de 2017.

Já os depósitos de clientes caíram mais de 1.400 milhões de euros (6,5%) para 20.967 milhões de euros.

O banco referiu, contudo, que em Portugal os depósitos de clientes subiram 590 milhões de euros para 19.625 milhões e que o crédito a empresas subiu 3,5% (251 milhões de euros) para 7.420 milhões de euros e que a produção de novo crédito hipotecário (sobretudo para compra de casa) avançou 35% (326 milhões de euros).

O BPI indicou ainda que, no primeiro trimestre, teve reversões de imparidades (provisões para perdas potenciais) no valor de 7,7 milhões de euros e que fechou março com um rácio de crédito problemático (NPE – Non Performing Exposures em inglês) de 4,6%, face aos 5,1% de dezembro.

Por fim, o banco tem rácios de solvabilidade CET1 de 11,4% e rácio total de 13,2%.

Na apresentação de resultados de hoje, quando questionado pelos jornalistas, o presidente do banco não quis comentar o que se passa no Montepio.

Sobre o Novo Banco disse apenas que o BPI contribuiu com 14 milhões de euros anuais para o Fundo de Resolução (que criou o Novo Banco, na sequência da resolução do BES) e que já sabe que assim se vai manter por muito tempo.

“Se as coisas correrem bem os pagamentos terminarão em 2040, se correrem mal em 2050 e 2051”, afirmou, considerando que “vão correr melhor do que o mercado espera”.

Desde início de 2017 que o BPI é controlado em 84,5% pelo grupo espanhol CaixaBank, na sequência de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), tendo a seguradora Allianz 8,4%, no total de quase 93%. Já os restantes 7% estão dispersos por vários acionistas.

IM// ATR

Lusa/fim

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