Banco central angolano vende mais de 220 M€ em divisas para transferências atrasadas

Agência Lusa

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O Banco Nacional de Angola (BNA) vendeu esta semana 222,7 milhões de euros em divisas, anunciando que uma parte destinou-se à “regularização final de atrasados” de mercadorias e serviços, cujas transferências para o exterior continuavam pendentes.

De acordo com informação disponibilizada hoje à Lusa pelo BNA, em causa está um leilão, realizado na segunda-feira, com 25 bancos a receberam divisas para garantir, ainda, operações de transferências de salários de trabalhadores expatriados “até ao montante individual mensal correspondente ao equivalente a 13.500 euros”.

Foram igualmente vendidas divisas, sem quantificar, para o setor de Serviços, da Saúde, nomeadamente da importação de medicamentos e equipamento hospitalar, e viagens.

O governador do BNA disse no final de junho que o país chegou a ter cerca de 3.000 milhões de dólares (2.570 milhões de euros) em transferências cambiais em atraso no final de 2017, mas que tem vindo a regularizar.

José de Lima Massano acrescentou que está “em fase adiantada de resolução dos pendentes cambiais de anos anteriores”, mas sem quantificar o valor pendente de transferência para o estrangeiro.

Em causa estão pagamentos em atraso ao exterior, em divisas, destinados à importação de matéria-prima, aquisições diversas, repatriamento de fundos ou transferência de salários de trabalhadores expatriados.

Estes atrasos foram acumulados devido à escassez de divisas provocada pela forte crise económica, financeira e cambial que se arrasta no país desde finais de 2014, devido à quebra nas receitas com a exportação de petróleo.

Desde o início do ano que a venda de divisas pelo BNA é feita em regime de leilão aos bancos comercias, aos quais podem participar apenas os bancos comerciais e que servem para formar a taxa de câmbio oficial do kwanza face ao euro.

O governador do BNA anunciou, entretanto, uma segunda fase do Novo Quadro Operacional do Mercado Cambial, que tem como objetivo “aumentar o número de ofertantes de moeda estrangeira”, para além do próprio banco central.

“Bem como termos um maior dinamismo no mercado cambial, particularmente, no apuramento da taxa de câmbio”, explicou, acrescentando que o Tesouro Nacional, as operadoras petrolíferas e os exportadores não petrolíferos são as entidades “que estão em condições de participar do lado da oferta”, de divisas.

“Esta etapa será implementada também de modo faseado, pelo que num primeiro momento teremos os exportadores não petrolíferos até setembro e, posteriormente, a reentrada das operadoras petrolíferas”, disse ainda o governador do BNA.

PVJ // SB

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