Banif – A força de acreditar?

Tiago Esteves
Aproveito o e-mail de um leitor com algumas questões sobre o futuro do Banif para fazer um pequeno update ao último (e sensacionalista) post sobre este banco, onde afirmava que as acções do banco iriam desvalorizar fortemente nos próximos meses.
Foi-me perguntado o motivo pelo qual as acções nem estavam a descer muito após o anúncio de novo AC com novos títulos a um cêntimo e se na minha opinião existiria risco de falência.
Deixo publicada a minha resposta a essas questões porque haverá certamente mais accionistas do Banif entre os leitores deste espaço.
Eis, na sua essência, o que respondi:

Ao contrário do que geralmente acontece, a ideia neste caso não é fazer um aumento pelo capital em si mas sim pela recuperação de posição dominante por parte dos privados. Ou seja, neste momento o
estado tem mais de 90% de controlo no banco e o que se pretende com o AC é
devolver o controlo aos privados. Assim, o preço não é o mais importante, é
apenas um valor simbólico e ainda hipotético. A questão do 1 cêntimo é
puramente ilustrativa, já que em parte serão vendidas estas acções juntamente
com obrigações. Ou seja, se eu quiser obrigações do Banif vou comprar como
“bónus” algumas acções. 

A ideia é conseguir, além do já referido
controlo, dinheiro para devolver 150M€ ao estado, compromisso que o banco traçou para ser atingido até ao final deste mês. Como é que o preço das acções se vai comportar?Quando as acções que agora vão ser
oferecidas puderem ser negociadas, a queda do preço parece-me inevitável.
Dependerá do comportamento que os privados de maior calibre tomarem. E esses em princípio estancarão (pelo menos em parte) a pressão vendedora, aproveitando eventualmente para ganhar posição. Ainda assim, acredito piamente que o preço continuará a cair. E cada AC só piorará esse facto.

Quanto à questão da falência, confesso que é um risco que
já tive em mente. A tal ponto que há pouco mais de um ano sugeri a alguns
amigos que procurassem outro banco para ter as suas contas. Neste momento já é
algo extremamente improvável, visto que o Estado teria muito a perder com essa
falência. O cenário mais provável passa pela venda dos balcões detidos em
Portugal continental e a limitação da acção comercial às ilhas, onde a marca
Banif é vista como muitíssimo forte e fiável. 
Pessoalmente assumo a possibilidade de abrir uma posição obrigacionista no banco, se o juro for suficientemente atractivo para o justificar per se. Não hesitarei em vender as acções que vierem com o negócio logo que possa, ao preço mais alto que puder. Comprar acções neste momento? Só se tivesse mesmo muita força para acreditar em milagres…

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