BCP de regresso às diluições massivas. E agora?

Tiago Esteves
O BCP vai voltar aos aumentos de capital, desta vez com uma operação que representa um módico aumento de 1330 milhões de euros. Recordo que a capitalização bolsista está neste momento discretamente acima dos 650 milhões de euros… Por cada acção que detém actualmente, os accionistas receberão um direito. Cada direito permitirá por sua vez adquirir 14,7 novas acções, cada uma por 9,4 cêntimos. 
A absurda quantidade de aumentos de capital que o BCP já fez impede-me de ir comparar o nível de diluição a que o banco será sujeito desta vez com aquela a que foi sujeito em operações semelhantes no passado, mas não tenho dúvidas que será uma das maiores diluições de sempre. Faz lembrar os aumentos de capital do defunto Banif, um absurdo autêntico! Colocando um pouco de racionalidade e visão externa no processo, até acho que este aumento de capital é positivo para o banco. Acaba-se de uma vez com os CoCos (que obrigam ao pagamento de um juro também ele absurdo), e ainda sobra dinheiro para aumentar os bónus da equipa de gestão pela elevada competência na arte de ludibriar os accionistas. Ah, e para colocar os rácios de capital acima de 11%, claro. 
O que se espera que aconteça ao preço? Em aumentos de capital massivos, a tendência é geralmente descendente. Quando os direitos começarem a negociar, o preço ajustará para os 15 cêntimos, e o direito em si ficará com um valor que rondará os 70-80 cêntimos (difícil de prever como estará a cotação na altura, dado que ainda não há sequer data marcada para o ex-direito). Não se esqueçam, no entanto, que quem não vender nem exercer os direitos perde a totalidade do dinheiro!!! A boa notícia no meio disto tudo é que a Fosun já garantiu a subscrição antecipada de uma posição que pode chegar aos 31%, significando isso que terá de ir ao mercado comprar direitos para praticamente duplicar a posição actual: trocando por miúdos, os direitos não estarão tão pressionados. Consequentemente, o preço também não. Mais boas notícias, o sucesso do AC já está garantido por um consórcio bancário. Ainda que “sucesso” signifique apenas que a subscrição será feita na totalidade, e não que o preço não será arrastado pela lama para que isso aconteça. 
Em jeito de conclusão, se me pedirem para adivinhar em que nível estará o preço em Março (deixo desde já a ressalva que me engano com frequência nestes golpes de adivinhação), diria que será provável que esteja muito próximo dos 10 cêntimos. Após a acalmia do AC, e considerando o ajuste inicial para o patamar dos 15 cêntimos, é natural que gradualmente exista uma convergência para o valor da cotação que traz a diluição (mesmo descontando o valor subjacente aos direitos). Claro está que uma valorização dos direitos no período de negociação impediria essa convergência, mas a diluição é tão grande que dificilmente se esperará uma valorização muito expressiva. Admito inclusivamente alguma valorização (e muita volatilidade) durante a negociação dos direitos. Mas nem a Fosun deverá ter força suficiente para impedir a continuidade do movimento de desvalorização. E deixem-me dizer que se não fossem os shorts a estarem a encerrar posições, o preço estaria actualmente já num patamar muito inferior.  
E quanto a mim, imiscuir-me-ei nesta aventura? Claro está que não, já conhecem a minha opinião relativamente a aumentos de capital. Respeito quem o faz, mas respeito ainda mais a estatística. E esta diz que cerca de 90% dos aumentos de capital dão prejuízo. Quanto muito farei arbitragem, se surgir alguma oportunidade proveitosa sem grandes riscos associados. Boa sorte, contudo, a todos os pequenos investidores que estão dentro ou a pensar entrar. 

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