Bolsa de Valores do Zimbabué atinge máximos históricos

Agência Lusa

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A Bolsa de Valores do Zimbabué atingiu máximos históricos na segunda-feira, com ganhos de diários de 5,6%, que elevaram o acumulado deste trimestre para 80%, o mais alto entre os indicadores primários de ações da Bloomberg.

Segundo a Bloomberg, estes valores são impulsionados pelos investidores locais que estão “desesperados para cobrir os riscos da inflação”, que alcançou os 98% em maio, de acordo com a Agência Nacional de Estatísticas do Zimbabué (ZIMSTAT, na sigla inglesa).

Os preços locais têm aumentado devido à falta de câmbio internacional, que provocou escassez de combustíveis, medicamentos e outros bens importados, uma situação semelhante ao que aconteceu no mercado financeiro venezuelano.

No Zimbabué, o medo dos investidores locais é aumentado com a crescente desvalorização da moeda que está a ser utilizada, o dólar RTGS, que em fevereiro foi desindexada do dólar americano.

Desde então, o dólar RTGS afundou 57% no mercado negro, em que apresenta uma taxa de câmbio de 9,7 por cada dólar americano.

Quanto ao câmbio no banco central do país, o Banco de Reserva do Zimbabué, este valor cifra-se nos 6,08.

Em 07 de junho, o Presidente do país, Emmerson Mnangagwa, afirmou esperar reintroduzir uma nova moeda nacional, defendendo que é uma medida essencial para o desenvolvimento do país.

No poder desde o afastamento de Robert Mugabe em novembro de 2017, Mnangagwa venceu as eleições presidenciais de 30 de julho do ano seguinte e prometeu relançar a economia e lutar contra a corrupção.

A crise financeira no Zimbabué teve início com a expulsão de agricultores brancos, no início dos anos 2000, que provocou a queda da moeda e uma situação de hiperinflação no país.

Por não conseguir controlar a desvalorização, em 2009 o regime de Robert Mugabe abandonou a sua moeda e adotou o dólar americano.

No entanto, a escassez do dólar levou a uma quase paralisação da economia do país.

Em 2016, o Governo tentou remediar a situação com a introdução de “notas de obrigação”, títulos que teriam um valor semelhante ao dólar americano, mas a falta de confiança dos operadores económicos levou à sua rápida desvalorização.

JYO // SR

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