Brasil – Hora de investir ou de fugir?

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A situação política

A corrupção e a atração do populismo pairam no país antes da mais importante eleição presidencial em 2018. Tudo no Brasil pode adquirir uma dimensão maior do que noutros lugares – o mesmo acontece com as suas crises. De facto, o estado de espírito é tão mau que, segundo Boris Fausto, historiador conhecido, a crise atual é “a maior e mais dramática da história brasileira”.

O país quase não emergiu da sua pior recessão: cerca de 14 milhões de brasileiros estão desempregados. Surgiram muitos escândalos de corrupção; o Departamento de Justiça dos EUA apelidou a Odebrecht, a maior empresa de construção da América Latina, como o maior esquema de suborno estrangeiro do mundo.

Contudo, é no cenário político que a crise se sente com mais força. Cerca de um terço dos membros do congresso enfrentam investigações sobre contribuições ilegais para a campanha. No ano passado, a presidente Dilma Rousseff foi acusada. Existe a possibilidade do seu sucessor Michel Temer enfrentar o mesmo destino antes do final do seu mandato em 2018.

Estes escândalos de corrupção à volta da presidência de Temer comprometeram uma série de reformas que tentavam recuperar a economia. No entanto, as consequências políticas podem ser ainda maiores. Como resultado, ninguém faz ideia de quem possa ganhar as eleições presidenciais de outubro de 2018 e guiar o país para a recuperação (Temer, por exemplo, afirmou repetidamente que não iria concorrer). Nenhuma destas incertezas é boa para o investimento a longo prazo.

O retorno ao populismo é uma possibilidade bastante real. Lula da Silva, o popular ex-presidente por duas vezes, é o melhor candidato possível, com cerca de 30% das intenções de voto. Alguns dos seus associados estão na prisão ou sob investigação. O próprio Lula foi condenado por corrupção – uma decisão que, se for confirmada após recurso, significará que ele não poderá concorrer. Do outro lado do espectro político está outro proto populista, Jaír Bolsonaro, um congressista e ex-capitão do exército. Apesar das suas visões extremistas – como bater a homossexualidade em crianças gay, tortura de esquerdistas e o seu infame comentário em 2014 a um legislador “não te violaria, porque não mereces isso” – Bolsonaro surge em segundo ou terceiro lugar na maioria das sondagens com cerca de 18%.

Então, e quanto aos centristas, os “tipos Emamnuel Macron”? Marina Silva, a ambientalista, surge como uma possibilidade, que já contestou por duas vezes a presidência. Não deve ser ignorada, mas as suas percentagens estão a diminuir. Tem uma saúde frágil, e o seu partido, Rede, é assolado pela má organização.

Outra possibilidade é João Doria, o ex-feiticeiro do marketing e atual presidente de São Paulo, que se revê em Michael Bloomberg e esteve nesse cargo durante 12 anos em Nova Iorque. Mas Doria, aliado do partido centrista PSDB, é desconhecido fora de São Paulo, significando um grande obstáculo num país tão grande como o Brasil.

Impacto potencial das eleições no espectro do investimento

A incerteza política levanta preocupações para o investimento. Porém, existem boas razões para que estes receios não se venham a verificar. Um deles é, de longe o candidato mais popular nas sondagens: “Estou Indeciso”, com 48%. Isto significa que há ainda muito a percorrer nestas eleições.

Outro é a queda constante e de longo prazo das taxas de juro do Brasil. No final da década de 1990, as taxas de juro reais – a taxa nominal menos a inflação- eram de 20%. Hoje, situam-se nos 7%, com propensão para diminuir. Esta queda deve-se à elaboração de politicas económicas, com implicações sociais: taxas mais baixas significam que o governo gasta menos no pagamento das suas dívidas, aplicando-o noutros fins.

Um terceiro fator é a extraordinária força da infraestrutura institucional brasileira dos últimos 3 anos, durante os quais um poder judicial surpreendentemente independente montou uma purga inigualável a políticos e empresários corruptos. Esta mudança revolucionária é um exemplo para lidar com a corrupção na maioria do mundo emergente: nenhum outro país dos BRIC’s – Rússia, Índia ou China – se aproxima sequer desta realidade.

Estas tendências a longo prazo podem ser a razão pela qual os investidores ainda apostam no Brasil. Apesar desta incerteza, o investimento estrangeiro aumentou cerca de US $ 80 biliões por ano – mais do que em 2016 e o dobro dos níveis do final dos anos 2000, quando a economia estava em franco desenvolvimento.

Fonte: Financial Times

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