CaixaBank considera “extraordinário” primeiro ano da integração do BPI no grupo

Agência Lusa

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Os responsáveis do CaixaBank consideraram “extraordinário” o primeiro ano da integração do BPI no grupo bancário, mas sobre novas aquisições fora de Espanha afirmaram que são complexas pela regulação e a evolução que a digitalização bancária implica.

“Foi um ano extraordinário. O BPI ganhou quota de mercado, aumentou crédito ao consumo, crédito às empresas. O BPI mantém-se como o banco com melhor imagem em Portugal e melhor qualidade de serviço”, afirmou o presidente executivo, Gonzalo Górtazar, em conferência de imprensa, acrescentando que o CaixaBank quer “apoiar ao máximo” o BPI de futuro.

Já sobre novas aquisições, o presidente do grupo, Jordi Gual, afirmou que a experiência em Portugal “confirmou que as aquisições transfronteiriças na zona euro e na Europa são complexas”, devido a toda a regulação existente.

Além disso, afirmou, é necessário avaliar bem o interesse de operações transfronteiriças quando a banca assenta cada vez mais “em canais digitais”.

Já questionado sobre as ações do BPI, que saiu do índice PSI20 e tem poucos títulos negociáveis (uma vez que o CaixaBank tem 85% do BPI e a Allianz mais cerca de 8%), Jordi Gual disse que não há “vontade de mudar a situação” atual.

Gual e Górtazar falavam na conferência de imprensa de apresentação de resultados do grupo espanhol, que decorreu hoje de manhã em Valência, para onde o CaixaBank mudou a sua sede, desde Barcelona, na sequência da crise independentista na Catalunha.

A nova sede social e fiscal em Valência implica que o banco passe a realizar nesta cidade as reuniões ordinárias do Conselho de Administração, assim como as assembleias gerais de acionistas e a apresentação de resultados. Já os serviços centrais do grupo mantêm-se em Barcelona.

O grupo bancário de origem catalã divulgou hoje que teve lucros de 1.684 milhões de euros em 2017, mais 60% do que em 2016, os maiores da sua história.

Na operação em Espanha, o CaixaBank conseguiu 1.508 milhões de euros, mais 44,1% do que no ano anterior.

Já o BPI contribuiu para os resultados com 176 milhões de euros e ajudou a subidas significativas de muitas rubricas dos resultados.

Em 2017, o CaixaBank teve um produto bancário foi de 8.222 milhões de euros, mais 5,1% do que em 2016, o que segundo o grupo reflete a maior geração de receitas do negócio bancário (margem financeira, comissões e receitas de seguros), mas também a incorporação do BPI.

A margem financeira avançou 14,2% para 4.746 milhões de euros, ajudado pelo BPI. Apenas na atividade do CaixaBank em Espanha, a margem financeira subiu 5,1%.

Já as comissões avançaram 19,5% para 2.499 milhões de euros, com o BPI a dar o maior contributo para a subida, com 13,2%, enquanto as receitas da atividade comercial do CaixaBank melhoraram 6,3%.

Quanto a custos, esses subiram 11,8% para 4.467 milhões de euros, também devido sobretudo à incorporação do BPI. Sem isso, diz o CaixaBank, os custos teriam crescido 1%.

O CaixaBank registou 110 milhões de euros de custos extraordinários com o BPI. O grupo espanhol está a levar a cabo um plano de reestruturação no BPI, que incluiu um vasto programa de redução de pessoal em 2017, no qual saíram quase 600 trabalhadores (em rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas).

Ainda em 2017, o CaixaBank assistiu a uma queda das receitas de participadas em 21% face a 2016 para 653 milhões de euros, para a qual contribuíram os menores dividendos da operadora espanhola Telefónica e a venda de 2% da participação do BPI no Banco de Fomento de Angola (BFA).

O CaixaBank registou no ano passado 455 milhões de euros associados ao programa de reformas antecipadas.

Já o crédito bruto a clientes caiu 1,9%, apesar do aumento de crédito a empresas e ao consumo, devido à queda do crédito hipotecário e à promoção imobiliária. A taxa de morosidade – atraso no pagamento de empréstimos – baixou para 6%.

Quanto aos depósitos, no total do ano de 2017 os recursos de clientes do CaixaBank (sem contar com a incorporação do português BPI) aumentaram 10.600 milhões de euros (o equivalente a 3,5%) para 314.495 milhões de euros.

Contudo, apenas no quarto trimestre, houve a saída de 700 milhões na sequência da crise da Catalunha, 0,2% do total, o que os gestores do banco minimizaram.

Desde fevereiro de 2017 que o CaixaBank passou a controlar o BPI, após uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) em que o grupo espanhol ficou com uma participação de cerca de 85%.

IM // CSJ

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