CGD emite 500 ME para se recapitalizar a 5,75%

Agência Lusa

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) emitiu hoje 500 milhões de euros em dívida ‘tier2’, que conta para reforço de capital, segundo a agência de informação financeira Bloomberg.

Segundo fontes conhecedoras da transação não identificadas e citadas pela agência, a dívida foi colocada a uma taxa de juro de 5,75%.

Esta emissão de dívida é a última etapa do reforço do capital da CGD, acordada entre o Estado português e a Comissão Europeia em 2017 e que ascende a cerca de 5.000 milhões de euros.

Desse valor, 3,9 mil milhões de euros vieram do Estado, sendo que 2,7 mil milhões de euros foram de injeção de dinheiro, e foi ainda acordada uma emissão de 1.000 milhões de euros de dívida, essencial para que a operação não fosse considerada ajuda de Estado.

A primeira parte da emissão de dívida foi realizada em 23 de março de 2017, no valor de 500 milhões de euros, a uma taxa de juro de 10,75%, tendo ficado a segunda parte da emissão agendada para este ano, que foi a realizada hoje.

O presidente da CGD, Paulo Macedo, anunciou aquando da apresentação dos resultados do primeiro trimestre deste ano (em que a CGD passou de prejuízos a lucros de 68 milhões de euros) que Bruxelas concordou que a emissão seja feita através de instrumentos ‘tier 2’ (que implicam menor risco para os investidores), em vez de ‘adicional tier 1’, o que disse que implicava menores custos para o banco público.

Como contrapartida do aumento de capital, a CGD está a executar ainda um plano de reestruturação, que passa pela redução da operação fora de Portugal (Espanha, África do Sul – ambos já em venda –, mas também Brasil e França), redução do número de agências em Portugal (este ano fecharão mais 70 balcões) e redução de trabalhadores (tal como no ano passado, a CGD tem este ano em aberto um plano de rescisões por mútuo acordo e de reformas antecipadas).

Já em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a CGD indicou que a emissão de hoje tem um prazo de 10 anos, com opção de reembolso antecipado pela CGD no final do quinto ano a uma taxa de juro de 5,75% nos primeiros 5 anos.

A CGD destaca que esta taxa fixa é “inferior em 5% à obtida na emissão de fundos próprios adicionais de nível 1 (AT1) realizada em 2017”, o que “reflete a diferente natureza dos títulos em questão e o seu nível de subordinação”.

A emissão foi colocada exclusivamente junto de investidores institucionais, sobretudo gestores de ativos. Por áreas geográficas, os investidores foram sobretudo do Reino Unido (33%) e de Portugal (26%), havendo também de Espanha (8%), França (8%) e Suíça (7%).

IM // ATR

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