China nega ambição geopolítica de projeto internacional e defende multilateralismo

Agência Lusa

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A China rejeitou hoje as implicações geopolíticas do seu projeto internacional “Uma Faixa, Uma Rota”, afirmando que pretende impulsionar o multilateralismo, face a tendências protecionistas nos Estados Unidos e outros países.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, cujo segundo fórum decorre em Pequim, entre 25 e 27 de abril, e conta com a participação do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, segue os princípios de “cooperação e colaboração com benefícios mútuos”.

O projeto assenta no “espírito do multilateralismo”, disse.

Lançada em 2013, pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” materializa a nova vocação internacionalista de Pequim.

O gigantesco projeto de infraestruturas visa ligar o Sudeste Asiático, Ásia Central, África e Europa, e é visto como uma versão chinesa do ‘Plano Marshall’, lançado pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, permitindo a Washington criar a fundação de alianças que perduram até hoje.

Xi concordou, no mês passado, em defender regras mais justas no comércio internacional e enfrentar os desafios econômicos e de segurança globais, num aparente contraste com a agenda isolacionista do líder norte-americano, Donald Trump.

O líder chinês inaugurará o fórum no dia 26 com um discurso, seguido por uma mesa redonda com os líderes dos diferentes países.

No total, participarão 37 chefes de Estado ou de Governo, e representantes de 150 países e organizações internacionais, incluindo o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

O projeto inclui aeroportos, centrais elétricas e zonas de comércio livre, visando dinamizar regiões pouco integradas na economia global.

Bancos e outras instituições chinesas estão a conceder enormes empréstimos para projetos lançados no âmbito da iniciativa, que inclui ainda uma malha ferroviária e autoestradas, a ligar a região oeste da China à Europa e Oceano Índico, cruzando Rússia e Ásia Central, e uma rede de portos em África e no Mediterrâneo, que reforçarão as ligações marítimas do próspero litoral chinês.

Portugal é, até à data, um dos poucos países da União Europeia a apoiar formalmente o projeto.

As autoridades portuguesas querem incluir uma rota atlântica no projeto, o que permitiria ao porto de Sines ligar as rotas do Extremo Oriente ao oceano Atlântico, beneficiando do alargamento do canal do Panamá.

Mas a nova vocação internacionalista de Pequim suscitou já divergências com as potências ocidentais, que veem uma nova ordem mundial ser moldada por um rival estratégico, com um sistema político e de valores profundamente diferente.

No mês passado, Bruxelas produziu um documento que classifica a China como “rival económico” e “adversário sistémico”, que “promove modelos alternativos de governação”, e apelou para ações conjuntas para lidar com os desafios tecnológicos e económicos colocados pela China.

Os Estados Unidos apontam para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável, permitindo a Pequim avançar com os seus interesses geopolíticos.

O alargamento da iniciativa à América Latina, com a construção de portos e outras infraestruturas, alarmou também Washington sobre as ambições de Pequim numa região que os líderes norte-americanos tradicionalmente veem como a sua área natural de influência.

A Índia também rejeitou a iniciativa. Os dois países são concorrentes económicos diretos e mantêm várias disputas fronteiriças.

Wang defendeu que “alcançar a prosperidade comum” é um “princípio fundamental” do projeto chinês e que “as questões legadas pela história devem ser separadas dos nossos esforços neste âmbito”.

“Acredito que a cooperação não prejudicará a posição básica da Índia em relação à sua soberania e integridade territorial e, ao mesmo tempo, proporcionará oportunidades de desenvolvimento e ajudará a Índia a modernizar-se”, disse.

JPI // MSF

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