Cimeira da APEC termina sem declaração conjunta por divergências entre China e EUA

Agência Lusa

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A cimeira anual do Forum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) terminou hoje na Papua Nova Guiné sem a tradicional declaração conjunta devido a divergências entre Washington e Pequim, foi anunciado.

O primeiro-ministro da Papua Nova Guiné, Peter O’Neill, disse que há preocupações na região pelas diferenças entre os Estados Unidos e a China, cuja disputa comercial pela influência na região manchou no sábado o primeiro dia do encontro.

“Temos dois gigantes no quarto. O que é que querem que eu mais diga?”, afirmou O’Neil quando falava com os jornalistas.

Um porta-voz da delegação chinesa, Xialong Wang, admitiu que o desencontro levou os líderes das 21 delegações a rejeitar a declaração final e concordar em que seja a Papua Nova Guiné, enquanto presidente, a fazer “uma declaração em nome de todos os membros que reúna os consensos”.

A discrepância sobre o comunicado focou-se nos parágrafos que a delegação chinesa queria eliminar, segundo afirmou a delegação australiana aos meios de comunicação australianos.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse em conferência de imprensa que o desencontro se centra em assuntos relacionados com o comércio, mas evitou dar pormenores.

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e a luta pela hegemonia na região marcaram a edição deste ano da APEC.

Nas suas intervenções no sábado, o presidente chinês, Xi Jinping, advertiu para os riscos de uma guerra comercial “sem vencedores” enquanto o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, ameaçou o rival com mais taxas aduaneiras se este não parar as práticas comerciais abusivas.

Vários líderes também criticaram a Nova Rota da Seda que promove o investimento em infraestruturas e créditos suaves a países em desenvolvimento, projeto com o qual a China supostamente tenta ganhar influência na zona.

O presidente de China, Xi Jinping, confirmou no sábado que o segundo Fórum da Nova Rota da Seda para a Cooperação Internacional se vai realizar em Pequim em abril de 2019 e que esta convocatória é uma “resposta à comunidade internacional”.

O presidente chinês não deu mais pormenores sobre o assunto, apesar de imediatamente depois se ter defendido das críticas do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, que acusou Pequim de ter uma “diplomacia opaca de livro de cheques”.

Segundo Pence, os projetos que a China promove nos países em desenvolvimento são de “baixa qualidade” e “geralmente mantêm fortes laços e conduzem a uma dívida avassaladora”.

“Não aceitem dívida externa que comprometa a vossa soberania. Protejam os vossos interesses e preservem a vossa independência. Como os Estados Unidos, ponham o vosso país em primeiro lugar”, instou Pence.

Sobre estas acusações, Xi defendeu que a iniciativa Nova Rota da Seda – lançada em 2013 e também conhecida como “Uma Faixa, uma Rota” – “não oculta uma agenda geopolítica” nem é uma “armadilha” para dominar nações mais desfavorecidas.

Perante a agenda chinesa de expansão da cooperação com países como os do Pacífico através de investimento em infraestruturas e créditos suaves, os Estados Unidos, o Japão e a Austrália anunciaram o lançamento de uma iniciativa similar.

Os três países emitiram um comunicado no qual apontam que este novo plano de investimentos em infraestruturas no Pacífico cumprirá com os padrões internacionais de “transparência e sustentabilidade orçamental”.

MC // FPA

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