Como a República Checa conseguiu prosperar tão rapidamente, após décadas de comunismo

Cristiano Santos

A Checoslováquia deixou de existir a 1 de Janeiro de 1993. O “divórcio de veludo” como ficou conhecida a separação entre Checos e Eslovacos, deu-se pacificamente e amigavelmente. 
Antes da existência da Checoslováquia, os territórios que designavam a actual República Checa denominavam-se Boémia e a Morávia, e foram locais com um passado rico e com prosperidade industrial e referências intelectuais. Gozavam de uma autonomia visível, integrados no império dos Habsburgo. Já os Eslovacos tinham pouco que se gabar. Ocupados durante séculos a partir de Budapeste, eram encarados como camponeses rurais. Com o fim da I Guerra Mundial e a queda das Monarquias nasce a Checoslováquia em 1918. Poucos anos após o fim da II Guerra Mundial o país foi ocupado pelos comunistas, durante sensivelmente 40 anos. 
Durante a ocupação comunista, estes viram os checos como um perigo e um território hostil, devido à sua elevada cultura. A parte eslocava, mais rural, com menos televisões, automóveis e piores comunicações, era por consequência menos vulnerável à influência externa e assim sofreram menos repressão e foram convidados para exercer cargos de influência. 
Com efeito, durante 40 anos e fruto da repressão comunista de uma parte em favor de outrém, aquando da separação da Checoslováquia em 1993, as diferenças entre a Eslováquia e a República Checa tinham-se esbatido consideravelmente.
Mas com o fim do comunismo a República Checa foi dos países que mais rapidamente recuperou e com maior facilidade. Como fizeram?
Vaclav Klauss, primeiro-ministro da República Chega e ex-ministro das finanças do país desde 1991, era um ferveroso adepto do mercado livre e do capitalismo.
Reduziu o sector público, permitiu a livre concorrência, controlou os gastos orçamentais. Aderiram ao capitalismo liberal de tal forma que conceberam um esquema de recibos que oferecia às pessoas, a possibilidade de comprarem acções de empresas públicas!
Vaclav Klauss não queria que na República Checa restasse uma “única sombra de políticas socialistas”. A República Checa conseguiu um crescimento económico impressionante e, apesar de em 1989 partir quase de base zero, em 2007 já tinham ultrapassado Portugal e já eram mais ricos que nós em pib per capita.
Continuam a ser um dos países da Europa que oferece melhores condições de vida aos seus cidadãos.

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