Contas da SATA representam desvio de “objetivo declarado” – Governo dos Açores

Agência Lusa

A secretária regional dos Transportes do Governo dos Açores, Ana Cunha, reconheceu hoje que as contas do primeiro semestre da transportadora aérea SATA representam um “desvio” face ao “objetivo declarado” pela administração da empresa.

“As contas foram apresentadas, até de uma forma excecional houve uma apresentação pública (…) Foi feito isto de forma pública, excecionalmente, porque representam um desvio relativamente ao compromisso do CA ou, pelo menos, o seu objetivo declarado e público e por nós, Governo Regional, subscrito”, declarou a governante, falando aos jornalistas após ter sido ouvida pela Comissão de Economia do parlamento dos Açores.

As duas companhias aéreas da SATA registaram no primeiro semestre de 2019 um prejuízo de 33,5 milhões de euros, cabendo à Azores Airlines – que voa de e para fora dos Açores – a maior fatia das perdas (26,9 milhões).

Em conferência de imprensa tida recentemente em Ponta Delgada, o presidente do conselho de administração da SATA, António Teixeira, adiantou ainda que o prejuízo da SATA Air Açores, que faz as ligações entre as nove ilhas do arquipélago, foi de 6,64 milhões de euros.

Em 2018, a SATA registou um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.

Na apresentação das contas de então, o presidente da empresa manifestou a intenção de baixar os prejuízos em 2019 para cerca de metade do registado em 2018, o que foi já assumido como um “compromisso comprometido”.

Agora, diz Ana Cunha, que tutela no executivo regional os Transportes, é preciso continuar a implementar o plano de reestruturação da empresa, havendo “algumas medidas já conhecidas” e apresentadas pela administração da empresa precisamente na conferência de imprensa onde foram apresentados os números entre janeiro e junho.

A conclusão do processo de ‘phase out’ (fim de vida) do Airbus A310, a otimização de escalonamentos de tripulações e a melhoria da regularidade e pontualidade dos voos, com impacto positivo nas compensações financeiras a passageiros, são algumas das medidas destacadas pela administração.

Nos voos domésticos, haverá progressivamente a adoção de uma classe única económica e uma alteração do sistema de ‘catering’, ao passo que se encontra em negociação o ‘outsourcing’ do ‘call center’ da empresa, o que só avançará “caso haja benefício direto para o grupo SATA”, é referido.

Ana Cunha foi hoje ouvida a propósito de uma petição que pede que a Assembleia Legislativa dos Açores delibere no sentido de dar instruções ao Governo Regional para nomear, com caráter de urgência, uma Comissão de Gestão da SATA.

Para a governante, esta figura jurídica “não tem enquadramento normativo” e as “competências” que a petição prevê para a comissão “são as de um conselho de administração, tal como resulta da lei”.

Para o primeiro peticionário, André Silveira, também ouvido pelos parlamentares da Comissão de Economia, há uma “enorme preocupação da sociedade em geral sobre o estado financeiro e operacional” da transportadora açoriana, pedindo o responsável um “acordo alargado entre as forças políticas” para, no “médio a longo prazo”, haver uma “solução estável com profissionais” do setor que administrem a empresa.

A ideia da hipotética Comissão de Gestão, reconheceu, seria substituir-se “ao papel do Governo Regional” na gestão da empresa.

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