Corticeira Amorim – 8 anos de bull mode

Tiago Esteves
A Corticeira Amorim tem sido algo negligenciada por mim ao longo do tempo, sobretudo devido à baixa liquidez que geralmente a caracteriza. Contudo, com a entrada no PSI20, essa situação melhorou substancialmente e parece-me por isso momento de a introduzir nas análises sectoriais. Por ser de um sector muito peculiar, reconfigurarei o sector “papel e derivados” para “papel e cortiça” já a partir da próxima edição da sondagem. Para já, importa fazer-lhe uma análise geral.

De uma forma global, a sua tendência de longo prazo tem sido bastante impressionante. Numa fase em que quase todos os títulos nacionais caem, ela sobe com vigor. Mais precisamente 1600% desde mínimos, numa corrida de quase 8 anos. Poderá esta subida ter ido já longe de mais? De um ponto de vista fundamental, fazendo uma análise rápida e simplista, com um PER a rondar os 15 e uma yield de quase 3% não parece estar exageradamente cara. Diria que o preço actual parece justo, considerando já o aumento de lucros relativamente ao ano passado. É uma empresa familiar, que tem sido bem gerida, e o mercado recompensa-a por isso mesmo.

Mas este nem sempre quer saber de rácios de capital e boas gestões, sendo como sabemos muitas vezes movido pela psicologia das massas. E essas parecem sustentar a força da tendência. Pelo menos enquanto a zona de suporte dos 7,25-7,8 se mantiver por quebrar. Esta é para já a zona fronteira para o médio e longo prazo, e a sua manutenção é de grande importância. A quebra significativa na cotação em início de Novembro, associada à venda de 10% da participação da empresa por parte dos Amorim, poderá ter transmitido um sinal de overpricing aos mercados e levantado alguma intranquilidade. A quebrar-se esta zona de suporte em baixa, poderíamos ter um forte movimento descendente gerado pela activação de um padrão top. Para que a tranquilidade regresse ao título, é importante que regressemos em máximos o mais depressa possível.

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