CTT – Apesar do péssimo momento, vejo muito potencial no título

Tiago Esteves
Os CTT estão a atravessar o momento mais negro da sua história recente nos mercados financeiros. No curto espaço de um ano e 4 meses perderam 55% do valor em bolsa, estando já largamente abaixo do valor a que foram vendidos pelo Estado. Apesar dos maus resultados apresentados pelo grupo (sendo o mais preocupante a quebra de 50% no lucro operacional do sector postal), a minha grande esperança neste título é o sector bancário. O Banco CTT é uma marca de confiança no mercado português, e a que mais pode capitalizar com os problemas reputacionais da CGD. Espera-se um lucro por esta fonte que deve já aproximar-se dos 15% das receitas totais do grupo. Se a este potencial de crescimento somarmos a actual yield (taxa de rentabilidade) de 9,68% e o rácio entre capitalização bolsista e lucros de 11,7, podemos concluir que o título parece estar a transaccionar de momento a valores atractivos.Não havendo um agravamento da tendência descendente dos lucros, e mantendo-se a capacidade de pagamento deste nível de dividendo, o título deverá recuperar muito em breve o caminho ascendente. Deixo, contudo, um alerta. Apesar de já ter sido garantida a manutenção do dividendo em 2017, dificilmente o mesmo valor poderá ser mantido em 2018 se não houver um aumento de receitas. A 47 cêntimos por acção, os CTT estão a pagar 70 milhões de euros em dividendos, o que fica acima dos 62 milhões obtidos como receita em 2016. Considerando uma distribuição razoável para uma empresa madura mas que necessita de investir na sua área bancária de 85% dos lucros, a este nível de lucro o dividendo em 2018 teria de ser cortado para um valor a rondar os 35 cêntimos por título. Ainda assim muito razoável, já que colocaria a taxa de rentabilidade acima dos 7%, mas quando esta notícia surgir irá certamente desapontar o mercado.

Conforme indiquei na análise anterior aos CTT, não faz na minha opinião sentido adquirir nesta fase uma posição. O título está sob pressão das grandes casas de investimento e do mercado em geral, e a verdade é que quanto mais abaixo comprarmos maior será o potencial de crescimento. Importa, contudo, manter muita atenção à tendência e não tentar adivinhar o ponto mínimo da cotação. Mais cedo ou mais tarde o gráfico sinalizará algum padrão de inversão, e mesmo perdendo-se o arranque inicial haverá espaço e tempo suficiente para lucrar. Enquanto o título não mostrar sinais de recuperação sustentada, não tenho dúvidas que o melhor é deixá-lo cair. Para já, a minha fronteira de alerta está nos 5,11 euros. Suportes, neste momento, não há.

 

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