CTT – O novo BCP?

Tiago Esteves

Uma das minhas empresas favoritas no PSI20, durante anos, foi os CTT. Os CTT tiveram uma colocação em bolsa abaixo do seu real valor, e eu fui um dos defensores da positividade da abertura do banco CTT. Fazia todo o sentido! Na altura os bancos portugueses tinham uma reputação miserável, e os CTT tinham já uma sólida rede de distribuição de serviços que poderia ser facilmente convertida em posto de atendimento de proximidade para os muitos Portugueses que ainda sentiam a necessidade de estar fisicamente próximos do local onde têm o dinheiro.

Ora, apesar de o caminho seguido ter sido mais ou menos esse, cometeram-se pelo meio três erros estratégicos que podem custar aos CTT pelo menos uma década de evolução (assumindo que ainda conseguirão dar a volta à situação):

  • A criação do banco CTT foi feita de forma amadora, com muitos erros e muito dinheiro gasto num processo que se pedia mais rápido e mais simples;
  • A administração descurou tremendamente no core business, sobretudo no que diz respeito às entregas expresso (que serão o futuro do postal), e deixou a concorrência entrar de portas abertas num mercado que teria de ser forçosamente e indiscutivelmente dominado por si;
  • A administração continuou (e continua) a alimentar a ilusão dos accionistas (através do tamanho do dividendo), em vez de lhes pedir um esforço temporal e focar o capital que está a ser desviado para se reinventar.

Comparo, por isto, os CTT ao BCP, onde de igual forma foram cometidos vários erros estratégicos com um resultado que ainda hoje se pode considerar catastrófico. Também podia ter feito a comparação com a PT, ou com o BES, ou com a Cimpor, ou com outras tantas empresas (curiosamente, para um país tão pequeno, somos ricos em diversidade de erros de gestão! Pergunto-me porquê…. ).

Falando do preço das ações, o que esperar do comportamento dos CTT nos próximos tempos? A tendência é clara, e não deixa grandes margens para questões: Em pleno bull market para meio mundo, os CTT estão há três anos a cair, e perderam já 75% do valor desde máximos de 2015! Nesta fase mais recente, as quebras de preço continuam a ser frequentes, e as reações são anémicas. A mensagem é, por isso, bastante clara: não vale a pena entrar, que se deixe cair.

Se houver um dia em que a administração mude de estratégia, e se como resultado disso a empresa voltar novamente a ganhar dinheiro, então teremos todos tempo de entrar e voltar a ganhar com isso. Ou não! Sabem porquê? Porque se tal acontecer, o primeiro pensamento que virá à mente de quem a recupere passará por aproveitar a desvalorização para a retirar de bolsa, retirando assim qualquer hipótese de recuperação a quem sonhe com isso. Nem que seja por esse motivo, tenham cuidado com entradas longas antes de se ver uma clara inversão de tendência no gráfico (a quebra em alta dos 2,84€ seriam um bom ponto de entrada de curto prazo, considerando a actual situação técnica).

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CTT

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