“Cuidado com a dívida Alemã”

Tiago Esteves
Quem o diz é Bill Gross, co-fundador da Pimco, maior gestora de obrigações do mundo. Apesar de a opinião dele estar longe de ser isenta, por ter muito a ganhar com uma eventual escalada da taxa de juro paga pelas Bonds Alemãs, não deixa de ter razão em alguns aspectos.

Cada vez se compreende menos por que motivo a Alemanha passa incólume à fúria dos mercados. Se os periféricos estão com fortes dificuldades e têm de ser resgatados pelo elevado risco intrínseco que lhes está associado, ao haver um empréstimo algum desse risco tem de passar para a entidade ou o estado que serve como garantia. 

 Desde que o Euro foi criado, aumentando-se o poder de compra de milhões de pessoas distribuídas por diversos países (entre os quais os famosos PIIGS), a Alemanha foi uma das principais beneficiadas. Esse poder de compra, assente em dívida e despesismo, ajudou a comprar (entre tantos outros produtos e serviços) os famosos carros oriundos da Baviera. 

 Estamos neste momento a chegar a um ponto que pode ser de não retorno para a Europa. Depois da Espanha será a Italia… Mais tarde ou mais cedo será a França, e um dia será a Alemanha. Quando esta epidemia contagiante atingir os gigantes será tarde demais, as Eurobonds deixarão de ter um preço simbólico e passarão a conter um prémio de risco que poderá ser demasiado pesado. Acredito que isto venha a acontecer, se continuar a ser adiada uma tomada de posição firme por parte dos “donos” da Europa. 

Um dos caminhos de que se tem falado ultimamente passaria pela eventual saída do Euro por parte da Alemanha. Pessoalmente duvido que tal se venha a efectivar. Isso seria benéfico para um país com tendências inflacionistas, que é precisamente o oposto de uma Alemanha fortemente marcada por um trauma monetário. Alem disso, uma moeda mais forte prejudicaria as exportações, actual motor económico do país.

Se os alemães quiserem manter um futuro risonho só têm uma alternativa: manter o apoio aos periféricos, aumentando a factura paga pelos seus contribuintes. A aposta no altruísmo é, nesta irónica situação, a melhor forma de precaver futuros problemas de ego…

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