Dois cenários para o BCP, um optimista e outro pessimista

Tiago Esteves
A sondagem aberta ontem deliberou a vitória do BCP, Navigator Company (ex Portucel) e REN. Como habitualmente, farei as análises por ordem alfabética, o que significa começar pelo BCP. Desde a última análise, pouco da minha visão se alterou. Estive optimista no curto prazo, mas infelizmente a boa reacção ascendente iniciada em Abril não foi suficiente para ultrapassar a marca dos 0,0467€ e mudar o percurso de médio prazo. Era esse o ponto de viragem, que representaria a transição de tendência descendente para ascendente. Ao não ter sido quebrado em alta, acabamos por ter mais um máximo relativo inferior aos anteriores (lower-high) formado. Enquanto esse padrão (que se arrasta há já um ano) não for alterado, o BCP não conseguirá superar este momento menos bom da melhor forma.

O que temos neste momento de positivo em cima da mesa? Um ponto positivo passa pelo facto de o mínimo relativo de 7 de Abril ter sido superior ao de 24 de Fevereiro. O contacto com a zona de suporte indiciou pressão compradora, e isso gerou uma reacção ascendente de 33%. Tendo esta reacção sido forte o suficiente para despoletar interesse generalizado, acredito que em nova aproximação aos 0,031 devamos assistir a nova reacção ascendente. Mas, seguindo a lógica anterior, esta reacção não deverá conseguir atingir os 0,041€. Imaginemos dois cenários, um mais optimista e outro mais realista.

Começando pelo realista, baseado no padrão que segue o título há um ano, algures na zona dos 3 cêntimos deve surgir um ressalto ascendente que perspectivo ser na ordem dos 15% de amplitude. Após contacto com a ainda virtual linha de tendência ascendente de curto prazo, deverá aí dar-se uma nova retracção que deve levar o título a quebrar o suporte e a fazer novos mínimos. Isto seria o pior cenário, mas que deve estar presente na mente de todos os investidores por ser o que se baseia na lógica que tem acompanhado o título.

O que pode acontecer num cenário mais positivista? A grande diferença passaria pelo comportamento do título na zona dos 3,67 cêntimos. Se eventualmente o título chegar a essa zona e não retrair imediatamente, poderá gerar-se uma consolidação que suporte depois um ataque à zona de resistência-chave de curto/médio prazo, nos 4,11 cêntimos. Ultrapassando-se os 4,11 cêntimos com sucesso, o BCP deveria atrair interesse comprador suficiente para testar a resistência-chave de médio/longo prazo, nos 4,67 cêntimos. Este seria o cenário mais optimista. Colocando novamente os pés na terra, e salientando que ambos os cenários são possíveis, as indicações com que actualmente podemos contar suportam sobretudo o cenário 1.

Olhando rapidamente para o gráfico horário, que a análise já vai longa, conseguimos ver aqui com detalhe a origem da actual reacção descendente. O padrão de inversão que a gerou já atingiu a sua projecção, e devemos assistir agora a um abrandamento desse movimento. Será neste timeframe que a parte mais positiva de cada um dos cenários anteriormente traçados surgirá primeiro. Sugiro, por isso, que se olhe atentamente para o gráfico horário nas próximas 2 semanas em busca de um padrão de inversão de curto prazo. O que acontece depois, logo se verá. Um passo de cada vez.

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