E o investidor particular, deve meter-se na guerra da Espírito Santo Saúde?

Tiago Esteves
Não é novidade para ninguém que eu não sou grande fã da empresa Espírito Santo Saúde. Aliás, corrijo, até sou um grande admirador da empresa, mas considero o preço da cotação despropositado. Nas últimas semanas, após a falência do grupo Espírito Santo, esta empresa virou alvo da cobiça dos grupos da saúde e as OPAs têm-se sucedido. Hoje o grupo Mello superou os 4,30€ oferecidos pelos mexicanos Angeles, oferecendo por sua vez 4,40€ e uma importante garantia de que não haverá despedimentos. Se a ESS já tinha concordado que a proposta do grupo Mexicano era justa, este prémio financeiro e a promessa de estabilidade vêm reforçar o crédito da proposta hoje colocada em cima da mesa. 
Ora, o mercado adiantou-se imediatamente, e deu um puxão à cotação, convidando o grupo Angeles a oferecer 4,5€ pelo controlo da instituição. Será que ainda vale a pena ir atrás do preço para tentar aproveitar parte desta guerra? Pessoalmente sou muito conservador no que toca a OPAs, já que quando possuo um título opado não o mantenho muito tempo em carteira. A partir de determinado ponto a negociação torna-se altamente especulativa, ficando a relação risk/reward claramente a pender para o lado dos riscos.
Algumas considerações importantes:
– Ao contrário do que muitas vezes acontece, dificilmente esta OPA falhará. O grande risco nesta fase viria da parte da autoridade da concorrência, mas não me parece que vá haver problema. Afinal, o gigante sector público é um concorrente directo de todos os privados! 
– É possível que as propostas continuem  a superar-se, mas até quando? O preço actual é claramente um preço de controlo, com uma parte da expectativa futura já descontada. Faltaria descontar uma eventual entrada em África, que já vimos em anteriores posts que será para já difícil.
– Este preço  ao nível de controlo deixaria os accionistas desamparados caso a OPA falhasse. É verdade que o prémio nem é muito elevado face à cotação média (pouco mais de 20%), mas há que ter em consideração que já partimos de um patamar elevado.
Valerá então a pena apanhar boleia desta guerra de preços e comprar títulos de forma especulativa? Na minha opinião não, o comboio já vai em andamento. É pouco provável que a guerra de preços continue a escalar 10 ou 20% acima do preço actual, havendo a real possibilidade de a cotada ser retirada de bolsa a um preço inferior ao actual. Para os que acreditam que esta escalada de preços é certa, a compra especulativa é sempre uma possibilidade!
Uma palavra aos trabalhadores e aos clientes. Os trabalhadores seriam claramente beneficiados pela aquisição por parte do grupo Mello, já que me parece que este grupo dificilmente fará alterações estruturais às instituições. Perder-se-ia pressão concorrencial, o que prejudicaria os clientes. 
A aquisição pelos Mexicanos representaria uma boa dose de incerteza, podendo ocorrer aos trabalhadores o que aconteceu na recente venda dos hospitais da CGD aos Brasileiros: despedimentos e reestruturações estratégicas. Para os clientes, por sua vez, seria provavelmente uma solução positiva, já que aumentaria a pressão concorrencial no sector. Descobriremos em breve (ou talvez não) o desfecho desta questão! Pessoalmente prefiro ficar a assistir da bancada, mas boa sorte a quem está dentro!
Disclaimer
Todos
os comentários e posts publicados neste blogue são meras opiniões pessoais, não
devendo ser confundidas com recomendações de compra ou venda. As compras e
vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou perdas daí
resultantes. Se necessitar de aconselhamento financeiro contacte uma entidade
ou profissional certificados pela CMVM

Deixe uma resposta