EDP – Análise Semanal

Tiago Esteves
A EDP foi a vencedora da análise semanal. Os últimos meses foram marcados por fortes mudanças numa empresa que tinha um negócio extremamente estável, fruto de um rendimento garantido e clientes sem possibilidade de fuga. O domínio por parte dos Chineses da “Três Gargantas” foi o primeiro passo para a mudança, mudança essa que ainda não se começou a revelar mas que surgirá, mais cedo ou mais tarde. Comecemos mesmo por aí…

Um dos motivos da compra pela empresa Chinesa, para além de estar em saldo, foi a aposta geo-estratégica na sua localização e na ambição de expandir a aposta nas energias renováveis. É já certo que a EDPR vai ser absorvida, concentrando novamente a casa-mãe o domínio das renováveis. Isso é um ponto a favor da EDP, tal como já tinha referido na análise à EDPR. A esta distância do término do prazo é difícil prever o preço da OPA, mas tirar uma empresa com um potencial tão elevado em pleno bear market será certamente algo favorável à EDP.

A segunda mudança que os últimos meses trouxeram (ou estão a trazer, neste caso) tem a ver com a liberalização do mercado energético. Não se espera que os preços caiam muito, (como aconteceu no sector das telecomunicações) mas eu também não espero que haja uma subida em flecha do preço da electricidade, à semelhança do que aconteceu com os combustíveis. A electricidade é dependente de combustíveis fósseis, é verdade, mas a correlação com produtos negociados em mercado é muito inferior ao sector dos combustíveis. Acredito que com concorrentes no mercado os preços tenderão a baixar, perdendo a EDP uma parte da facturação actualmente detida. A Galp entrou em força e está apostada em subtrair clientes à eléctrica semi-portuguesa. Outros se seguirão, com estratégias de marketing mais ou menos agressivas.

A terceira mudança está relacionada com a entrada da Troika em Portugal. Um dos compromissos do Governo para com o triunvirato passou pela diminuição das rendas pagas, entre outros, à EDP. E isso irá acontecer, nem que seja parcialmente. Verão os consumidores esses cortes reflectidos nas suas facturas? Sim, mas muito provavelmente apenas em parte…

Resumindo, a EDP é uma empresa actualmente circunscrita e limitada, com estabilidade e tranquilidade ameaçadas. O seu potencial de crescimento e a sua maior esperança está nas renováveis. Veremos nos próximos anos se essa variável foi suficiente para alterar o rumo dos acontecimentos.

Tecnicamente, e tal como quase todas as empresas do PSI, a EDP está em Bear mode acentuado, tendo caído desde 2008 mais de 60%. Desde 2010 teve já uma LT de médio prazo quebrada em alta, tendo sido um falso sinal de partida. Pouco acima redesenhou a linha, mantendo-se a tendência negativa.

Actualmente vivemos um ressalto e, até prova em contrário, não passará disso mesmo. Apesar de ter já subido 18% desde mínimos, a EDP costuma fazer contra-ciclos de 20-25%, o que acaba por se encaixar neste contexto. Nem é de estranhar, já que caiu quase 30% em menos de um mês, sem deixar qualquer zona de suporte pelo caminho. Para se inverter a tendência marcadamente negativa gostaria de ver quebrado o padrão de lower-highs, com a ultrapassagem da linha azul superior. Apesar de o caminho até lá ser ainda longo, pessoalmente não pondero arriscar. Mais depressa arrisco um short próximo da resistência…

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