Elisa Ferreira diz que fundos usam emissão de dívida do BCP para vincar a sua posição

Agência Lusa

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A vice-governadora do Banco de Portugal disse que a ausência de grandes fundos de investimento da emissão de dívida do BCP é uma tomada de posição negocial legítima, mas vincou a legalidade da decisão tomada em 2015.

“O Banco de Portugal exerceu as suas competências de acordo com a base legal que existe, percebe-se que fundos em determinados momentos tentem valer a sua posição negocial, é legítimo”, afirmou Elisa Ferreira à Lusa, à margem do Fórum Banca, que decorreu em Lisboa.

Na terça-feira, as gestoras de fundos de investimento Attestor Capital, BlackRock, CQS, Pimco, River Birch Capital e York Capital anunciaram que não vão participar na emissão de dívida que o banco BCP está a promover.

“Não vamos participar nesta emissão. Cada um decidiu que os riscos associados em investir ativamente em dívida pública ou privada portuguesa são proibitivos”, afirmou um porta-voz do grupo.

Em causa está a decisão de final de 2015 do Banco de Portugal que decidiu transmitir para o ‘banco mau’ BES obrigações não subordinadas do BES que inicialmente ficaram no Novo Banco, o que acabou por penalizar os fundos que detinham esses títulos, que consideraram a decisão do banco central “ilegal e discriminatória” e puseram ações em tribunal.

Questionada sobre se a decisão dos grandes fundos internacionais poderá penalizar os custos de financiamento dos bancos portugueses nos mercados, a vice-governadora escusou-se a fazer considerações e recordou que já aquando da recompra de dívida do Novo Banco, realizada em outubro, os fundos fizeram pressões e a operação aconteceu.

“Não faco considerações sobre isso, percebi as pressões quando se tratou LME do Novo banco e em várias oportunidades aparecem os fundos, mais importante do que isso são as condições de viabilidade do país e essas estão em progresso”, concluiu.

Ainda na posição divulgada terça-feira, os fundos de investimento manifestaram vontade em “retomar as discussões com as autoridades portuguesas, de forma a resolver rapidamente a situação e restabelecer Portugal como um destino credível para o investimento estrangeiro”.

Em maio, o ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu em entrevista à Reuteurs que o Estado estava “em conversações” com grandes fundos internacionais que tiveram perdas com dívida do Novo Banco para “encontrar uma solução que satisfaça os interesses de todos”, considerando que lhe cabe a responsabilidade de “encontrar mecanismos que mitiguem” os “riscos” dessa decisão “para o conjunto de todos os agentes e entidades portuguesas”.

Contudo, desde então não houve mais novidades sobre o assunto e a posição recente dos fundos dá a entender que não há desenvolvimentos.

IM/SP// ATR

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