Em dia de forte desvalorização, analisamos o BCP

Tiago Esteves

Tiago Esteves

, Actualidade
Hoje é dia de analisar o BCP, dia em que o Sabadell anunciou que deixaria de ser accionista do banco por um valor (1,15€) que era 10% inferior à cotação em mercado aquando desse anúncio. O mercado reagiu imediatamente e da forma expectável, corrigindo para o nível a que o Sabadell escolheu vender. O mais curioso no meio deste processo é a desvalorização encaixada pelo Sabadell no BCP, de apenas 16%, numa posição que começou a ser adquirida no ano 2000. Recordo que a cotação desvalorizou desde então 99,3%, pelo que só me recordo de uma possível solução para este golpe de magia: o Sabadell faria ocasionalmente hedging da sua posição através de short selling. Nada contra, pelo contrário! A confirmar-se, tiro o chapéu a quem teve a inteligência táctica de proceder a tal manobra. Mas o meu ponto é o seguinte: existem tantas vezes pudores contra o short-selling, e são em inúmeras situações os grandes accionistas que estão a utilizar este mecanismo. Não porque queiram que o preço caia, mas porque se querem proteger em momentos de volatilidade e incerteza. Conhecesse o Joe Berardo esse mecanismo e a sua fortuna seria bem superior ao que hoje é…

Ora, passando à leitura técnica, e aproveitando que já temos um pouco mais de histórico pós-ajuste do que tínhamos à data da última análise, importa verificar que impacto poderá ter este gap down de hoje. Sem me querer perder em análise fundamental, há alguns factores relacionados com esta venda que poderão ainda vir a ter um impacto na cotação e influenciar o preço no curto prazo. Ainda assim, do ponto de vista técnico, continuamos acima do suporte dos 1,095€. Em princípio este pode atrasar o movimento descendente, mas não sei por quanto tempo. Continuo negativista no título pelos motivos já anteriormente discutidos, e acredito por isso que a quebra em baixa deste suporte (a acontecer, claro) simbolizará o regresso à tendência prévia. Do ponto de vista ascendente, é visível o poder da resistência dos 1,35€. Enquanto esta se mantiver inquebrável, não há muito a fazer para os longos além de esperar (ou fazer hedging).

Já no gráfico horário, podemos ver que o reverse stock split fez bem ao título de um ponto de vista mais técnico. As velas estão mais coesas, os movimentos mais lineares, e a acuidade técnica está mais elevada. Depois de um padrão de inversão ter lançado o movimento ascendente, um outro terminou-o da forma que já sabemos. Não há muito mais para ver por aqui, além da escassez de referências de negociação de curto prazo. Além do visível suporte na imagem, pouco mais há a salientar. Busquemos por sinais neste timeframe, pois está bom de ver que todos os grandes movimentos são aqui sinalizados com tempo suficiente para permitirem preparar uma reacção.

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