Nova emissão obrigacionista Porto SAD 4,75% – Vale a pena?

Tiago Esteves

Tiago Esteves

, Obrigações

Num momento em que praticamente só se fala do Sporting e da sua crise interna, a SAD do FC Porto está no mercado obrigacionista em busca de financiamento. Desta vez, procuram colocar 35 Milhões de euros a uma taxa de 4,75%, com maturidade em Junho de 2021 (3 anos). As condições de colocação são as mesmas de todas as emissões passadas, e por isso não me alongarei nesse aspecto. Vou focar-me sobretudo no eventual interesse deste negócio para o investidor.

Para avaliar a pertinência de um eventual investimento neste produto, há que considerar uma série de factores que podem ter peso neste julgamento. Um dos mais importantes é mesmo o Sporting e a sua situação. Acabou de ser adiado oficialmente o reembolso obrigacionista do Sporting que vencia em Maio para Novembro deste ano (ver notícia para detalhes). Já se sabia que tal deveria acontecer, agora é oficial. Este é um factor de elevado relevo porque abre um precedente no “esquema ponzi” das obrigações do futebol. Existe um risco real de default no Sporting, e se tal ocorrer, tanto as obrigações do Benfica como do Porto serão fortemente penalizadas em mercado secundário. Significaria isso que o default se estenderia a estes dois clubes? Não. Contudo, o mercado assimilaria o aumento de risco e fá-lo-ia reflectir no preço de cotação no mercado secundário. Em termos práticos, significaria que em caso de default do sporting, quem quisesse vender obrigações do Porto/Benfica antes da maturidade poderia ter de assumir uma perda parcial para o conseguir fazer. Reparem por curiosidade que a crise do Sporting penalizou em mercado secundário de forma significativa as obrigações do Porto, tendo sido este na minha opinião um dos motivos para o aumento do cupão comparativamente à emissão anterior.

Relativamente ao cupão, estamos então perante um prémio face à anterior emissão. A emissão com maturidade em 2020 (PTFCPJOM0003) tem um cupão de 4,25% e uma rentabilidade real neste momento face à cotação de 4,48%.  Esta nova emissão conta assim com um prémio de 0,27% face à anterior, pelo risco de detenção do instrumento por mais um ano. Tem sido raro ver-se este prémio nas obrigações do futebol, e há portanto que considerá-lo.

Conclusão

Para o contexto actual de rentabilidades via depósito a prazo, o pagamento de um cupão a uma taxa de 4,75% é algo muito interessante. Também o risco, como é óbvio, é muitíssimo superior e por isso deve balancear-se bem uma eventual decisão. Na minha opinião pessoal, como já comentei antes, vale a pena manter uma pequena parte da carteira de trading alocada às obrigações de futebol. Há que manter contudo em consideração que o risco de default é alto e real, e que por esse motivo estes activos devem ser tratados com muita prudência. Caso já tenham obrigações do Porto em carteira, e face ao prémio de 0,27% relativamente à emissão anterior, vale a pena fazer o rollover se tal se vier a proporcionar. Recordo contudo que, no conjunto dos 3 clubes, a alocação de capital não deverá ultrapassar os 10-15% da carteira.

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