Empreendedores de Lisboa vão aprender a usar moedas virtuais

Agência Lusa

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A incubadora de empresas Startup Lisboa promove, na terça-feira, uma palestra sobre tecnologia ‘blockchain’, que regista transações de moedas virtuais, por notar uma “curiosidade crescente” sobre esta área, apesar de quase não existirem empreendedores a apostar neste método.

Em declarações à agência Lusa, o diretor executivo da Startup Lisboa, Miguel Fontes, explicou que “ainda não se pode falar numa tendência” de utilização de ‘blockchain’, tecnologia que visa a descentralização seja para armazenamento de dados, seja para transações de moedas virtuais.

“Se houvesse uma tendência, eu não teria de pensar que entidades a estão a usar. Acho é que há é uma curiosidade e uma curiosidade crescente”, acrescentou.

Assumindo-se como pouco conhecedor do assunto, Miguel Fontes notou que este é um “tema que não sai do radar da inovação e do empreendedorismo”.

Estimou, por isso, que o impacto desta tecnologia será, “num futuro próximo, como foi o da internet quando se começou a difundir”, devido ao seu potencial de “inovação disruptiva muito grande”.

Miguel Fontes considerou ainda que “só uma ‘startup’ já muito madura e profissional se pode atirar para uma coisa destas”, aludindo ao caso da empresa portuguesa Aptoide, que criou uma moeda virtual para ser usada como meio de pagamento na sua loja de aplicações Android.

“Depois também tem a ver com o tipo de negócio”, observou Miguel Fontes, ressalvando que “quem estiver a vender bens e serviços do mundo físico” pode não ver na ‘blockchain’ uma solução.

A palestra ficará a cargo de Bruno Botelho, diretor comercial da The BlockChain Marketing Agency, uma empresa sediada na China que se dedica a promover a tecnologia ‘blockchain’.

A viver há nove anos em Xangai, o responsável admitiu desconhecer qual a utilização desta tecnologia em Portugal, mas apontou o crescente interesse.

Sobre projetos a decorrer, falou no caso da Aptoide, que julga ser a única empresa que fez uma oferta inicial de moedas (initial coin offering – ICO) no país.

Bruno Botelho referiu também que a Utrust, empresa portuguesa destinada ao pagamento com moedas encriptadas, fez um ICO há cerca de três semanas, mas na Suíça, país que “já está mais avançado em termos de legislação” e que “dá segurança” aos investidores de serem reconhecidos e de terem os processos legais.

Em Portugal e em outros países europeus ainda não existem leis sobre este tipo de tecnologia, pelo que “se aplica o bom senso”, sendo as empresas a dispor-se a pagar impostos por correrem o risco de incorrerem em infrações.

Questionado sobre possíveis riscos da utilização das moedas virtuais, Bruno Botelho notou que “não há ninguém que arbitre” as transações, mas que os riscos também existem na aplicação das moedas tradicionais, nomeadamente por estarem sujeitas a taxas de câmbio, e frisou que a vantagem é “as pessoas serem livres” na utilização.

Ainda assim, Bruno Botelho pretende, na palestra, ir além das moedas virtuais, focando-se em como é que a ‘blockchain’ pode “beneficiar a vida das pessoas”, em áreas como a saúde ou os seguros.

No que toca à saúde, exemplificou que esta tecnologia poderá permitir que uma pessoa guarde os seus dados clínicos para depois os apresentar a unidades de saúde quando necessita, sem que os estabelecimentos possam alterar a informação já existente ou ficar com ela.

O mesmo se aplica nos seguros, referiu o responsável, destacando o “aumento da privacidade”.

Bruno Botelho disse ainda que, em negócios, a ‘blockchain’ poderá ser usada para “democratizar o acesso ao financiamento”, já que os ICO podem ser feitos por qualquer pessoa, sem necessitar recorrer a grandes investidores.

ANE // JNM

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