Empresas europeias com menos margem para enfrentar abrandamento económico – Moody’s

Agência Lusa

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As empresas europeias podem cortar custos, reduzir o investimento e fortalecer os balanços, mas a sua margem de manobra é atualmente menor, depois das medidas significativas para enfrentar a última crise económica, antecipam especialistas da Moody’s.

“As empresas europeias podem tomar medidas, podem cortar custos, cortar o ‘capex’ [investimento], podem vender ativos para fortalecer os seus balanços. No entanto, em média, as empresas tomaram medidas tão significativas para fazer face à última crise que achamos que ações adicionais atualmente poderão ser mais difíceis de implementar”, afirmou Laura Pérez, vice-president e ‘senior credit officer’ da Moody’s na área de ‘corporate finance’, em entrevista à agência Lusa.

Xavier Lopez de Rincon, por seu turno, indicou que a resposta das empresas depende de onde surjam os “choques”. “Se for um problema estrutural num setor, devido a uma rutura tecnológica, decisão política ou tendência global, existe pouco espaço de manobra para agir. Mas se o choque vier de taxas de juro mais altas o cenário é outro”, e as empresas podem, por exemplo, prolongar as maturidades de títulos de dívida, indicou o vice-presidente e ‘senior credit officer’ para a área de ‘infrastructure finance’ da Moody’s.

Questionados sobre o impacto que uma subida dos juros por parte do Banco Central Europeu (BCE) poderá ter na qualidade creditícia das empresas europeias, Laura Pérez antecipou que o aumento deverá ser gradual e que as taxas deverão permanecer baixas no médio prazo.

“No curto prazo, mesmo que o BCE suba os juros o impacto nas empresas será moderado. Mas no médio prazo espera-se que os investidores se foquem mais nos fundamentais das empresas e exigem juros mais elevados [para deter títulos de dívida das empresas] para compensar a deterioração do contexto creditício”, uma vez que num cenário de subida de juros existe maior volatilidade nos ‘spreads’, antecipou a especialista da agência de ‘rating’.

De acordo com Laura Pérez, as empresas mais vulneráveis são as mais pequenas, com fundamentais creditícios mais fracos e que tenham de aceder com rapidez ao mercado de capitais para refinanciar as suas dívidas.

A Moody’s tem atualmente uma perspetiva ‘estável’ para as empresas europeias, suportada num ainda favorável crescimento económico e baixas taxas de juros, “apesar de o contexto económico estar menos favorável e também existirem riscos políticos como o ‘Brexit’ e a escalada das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, que irão afetar a economia em termos globais e também as empresas”, referiu Laura Pérez.

Os especialistas falaram à Lusa à margem da conferência anual da Moody’s, que decorreu em Lisboa na quinta-feira, sobre as tendências creditícias europeias.

ECR // JNM

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