Energia – REN e a sua política de dividendos

Tiago Esteves
Como a REN não é uma empresa propriamente vibrante do ponto de vista técnico, optei hoje por deixar a análise gráfica ser substituída pela análise à política de dividendos da empresa. Começo por dizer que o modelo de gestão seguido me divide. Questiono-me sempre se os 2,5 mil milhões de euros em dívida não deveriam ser abatidos de forma mais agressiva em detrimento da distribuição de lucros. Mas compreendo também que esta política é um atractivo para diversos fundos, que sustentam assim a cotação num nível que permite um financiamento a custos inferiores. Um loop, portanto, com o qual é necessária prudência ao lidar. 
A alteração aos planos de investimento da empresa, em grande parte por motivos políticos, levou a uma maior fatia de capital em caixa. Como resultado, a REN aumentou a rentabilidade a distribuir, que se situou este ano em redor dos 6% (Yield anualizada tendo por base o valor de dividendo distribuído). Importa dizer, para os menos habituados à questão dos dividendos, que estes apenas têm um benefício potencial de longo prazo. Tal como aconteceu na semana passada, o título corrige habitualmente no dia de ex-dividendo o montante a ser pago, pelo que entrar no dia antes da distribuição do capital para sair no dia seguinte apenas resultaria (teoricamente) numa perda equivalente à tributação fiscal do dividendo somada às comissões de compra e venda. Já no longo prazo, como podemos ver no gráfico (os locais assinalados com setas verde e vermelha representam pagamentos de dividendo), a história tende a ser outra. Não é regra, certamente, mas na REN tem vindo a ser verdade desde 2012. 
No longo prazo, a cotação recuperou sempre do pagamento do dividendo, e ainda tendeu a subir. Quer isto dizer que a REN pode ser um bom investimento de longo prazo? Não, quer dizer que o tem sido nos últimos 4 anos e que existem boas possibilidades de o continuar a ser, mas não há garantias. Sobretudo porque após a distribuição do dividendo o título tende a cair durante alguns meses, e algo me leva a crer que esta vez não será excepção. Diria, contudo, que uma nova retracção até à zona dos 2€ poderia representar uma boa oportunidade de fazer uma entrada de longo prazo. Caso a política de dividendos não venha a ser alterada, o potencial de retorno por essa via é, por si só, muito semelhante ao das obrigações de maior risco. 

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