Eyemaxx – As obrigações que rendem 8%/ano + a taxa de inflação

Tiago Esteves
As obrigações que trago hoje ao vosso conhecimento são as Eyemaxx  2014-2020 (DE000A12T374), colocadas em mercado na passada segunda-feira, e que prometem recompensar os seus titulares com um cupão de 8% ao ano, ao qual se soma uma taxa de protecção à inflação, equivalente à mesma. 
A Eyemaxx é uma empresa de imobiliário, que desenvolve projectos para outras empresas. Neste caso em concreto, necessitam do dinheiro para a criação de lares de idosos e propriedades ligadas à área da saúde, tanto na Alemanha como na Áustria. 
Sendo uma empresa inserida numa área de sensibilidade no que ao actual panorama económico e financeiro diz respeito, importa salientar que a Eyemaxx tem já cerca de 20 anos de existência e vem a subir a sua facturação nos últimos cinco anos consecutivos. Importa ainda acrescentar que esta emissão em particular (15 milhões, expansíveis até
30 milhões) acabou por não ser um sucesso, já que apenas foram
angariados 12 milhões de Euros. Esse pormenor poderá pressionar um pouco
o preço de mercado nos próximos dias, gerando um desconto face ao valor
nominal e tornando a yield ainda mais atractiva. Esse factor não me
preocupa em demasia, já que de facto existem centenas de PME’s em
mercado obrigacionista na Alemanha, e é natural que o dinheiro não
chegue para cobrir em pleno todas as emissões. Sobretudo se considerarmos que a subscrição inicial estava limitada a residentes na Alemanha e Áustria.
Em teoria, este produto é muito interessante! Uma taxa altíssima, à qual acresce uma protecção contra a subida da inflação… tão perfeito que nos leva a desconfiar! O que leva estas obrigações de empresas alemãs a pagar uma taxa de juro tão elevada, tão acima da taxa de referência para o país onde se inserem? 
À semelhança do que acontece com o último produto apresentado, da Senivita, também esta empresa é uma PME. Enquanto em Portugal as PME recorrem à banca sempre que necessitam de financiamento, na Alemanha é comum recorrerem ao mercado para se financiarem. E, como é óbvio, uma empresa de pequena dimensão tem uma probabilidade de falência muito superior ao que acontece com uma grande empresa! Essa superior probabilidade de falência acaba por se reflectir num juro mais elevado, equivalente a um prémio superior por um risco também superior. Se olharmos para o rating da empresa (BB pela Creditreform), percebemos e a empresa está associada a um “Rating de crédito satisfatório, com
risco médio de insolvência”. 
A falência é sempre um risco para quem negoceia obrigações, e é óbvio que quanto menor é o risco menor será também o prémio. Negociar produtos como este implica um risco superior, e isso deve ser acautelado com a alocação de uma percentagem inferior da carteira a cada obrigação. Por referência, diria que cada obrigação deste género não deverá ultrapassar os 5-10% do total da carteira, sob pena de se penalizar demasiado a performance em caso de falência. Com uma diversificação correcta e ponderada, estes instrumentos poderão ser um excelente complemento para a maioria das carteiras de títulos!

Disclaimer
Todos
os comentários e posts publicados neste blogue são meras opiniões pessoais, não
devendo ser confundidas com recomendações de compra ou venda. As compras e
vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou perdas daí
resultantes. Se necessitar de aconselhamento financeiro contacte uma entidade
ou profissional certificados pela CMVM

Comment List

  • NCamilo 02 / 10 / 2014 Reply

    Olá Tiago, obrigado por mais este post, contudo no caso da Senivita tentei o BCP, BEST, DB e GoBulling e em nenhum dos banco os títulos estavam disponíveis; muito provavelmente o mesmo se aplica para este titulo de hoje. A ActivTrades permite negociar estes títulos? ou existe algum banco em Portugal que tenha conhecimento que o permita?
    Um abraço e obrigado
    Nuno Camilo

  • Tiago Esteves
    Tiago Esteves 02 / 10 / 2014 Reply

    Olá Nuno,
    A gobulling permite (aliás, o banco Carregosa), tanto umas como as outras.
    Abraço

  • Anónimo 02 / 10 / 2014 Reply

    bom dia,

    aqui parece-me que a maior limitação sao mesmo as comissoes. reparem no preçario da gobulling :
    Execução de ordens: Comissão de 0.20% com mínimo de 25,00 euros.
    Amortizações e Reembolsos: 0.20% com mínimo de 1,50 euros.
    Processamento de Juros: 2,00% com mínimo de 2,50 euros.

    ou seja…é 1 roubo! desculpem a linguagem! a penalização por poupar e "ajudar" as empresas é absurda (mas isto é outro tema). abraço nuno

  • NCamilo 02 / 10 / 2014 Reply

    Obrigado Tiago, vou voltar a verificar junto deles.

    Relativamente ao comentário do outro Nuno, infelizmente o preçário das obrigações é bastante mais elevado que o das ações mas acontece em todos os bancos não existe muito por onde fugir, se verificar por exemplo o BEST o roubo atinge outras proporções, é o que temos, provavelmente mais cedo ou mais tarde todos os preçários de obrigações vão baixar como tem acontecido com as ações nos últimos 2/3 anos.
    Um abraço
    Nuno C

  • Anónimo 01 / 02 / 2016 Reply

    Isto hoje está a afundar mas não encontro nenhuma notícia…alguém tem ideia do motivo?

    Obrigado,
    João

Deixe uma resposta