FED e BCE adiam novas medidas de estímulo à Economia

Tiago Esteves
Até quando, pergunto eu? Comecemos pela América. Se muitos começam a afirmar que o QE3 é já uma miragem, eu continuo bastante optimista quanto à sua chegada. Simplesmente, como tenho vindo a defender, Agosto não seria o melhor momento para tal aprovação. O QE3 representa um investimento avultado na economia e tem de ser esmiuçado ao máximo! Na minha opinião o momento ideal para o seu anúncio será durante o mês de Setembro, por três motivos.
Em primeiro lugar porque Setembro marca o fim da silly season e o consequente regresso do capital aos mercados. Não faria sentido lançar o pacote de estímulos no período em que os expert traders estão ausentes.

Em segundo lugar porque não seria sensato implementar medidas que se esperam geradoras de consensual sentimento bullish em plena época de resultados, época caracterizada pela volatilidade e pela sucessiva alternância maniaco-depressiva.
Por último, mas não menos importante, porque as eleições Americanas são em Novembro. Se é verdade que o senhor Ben e a sua FED têm uma assinalável independência política,  não é menos verdade que neste caso em particular tanto a decisão como a não decisão poderão ser vistas como acções politizadas. Se o lançamento do QE3 poderá ser visto como uma medida de apoio a Obama, a não decisão por esse caminho será um forte auxílio a Romney. E, a ter de tomar partido por um dos lados da barricada, numa altura em que os próprios Republicanos começam a colocar em causa a sua escolha, o dilema parece-me simples de resolver. O anúncio em Setembro permitiria, com uma certa margem de segurança, assumir que se chegaria a Novembro em pleno fulgor económico.

A acreditar nestes pressupostos, será de  manter o dedo o gatilho no que diz respeito às empresas Americanas. Já no que concerne à moeda, e acreditando como eu acredito que actualmente nem o Euro está tão mal como parece nem o Dólar está tão bem como parece, uma entrada longa no eurusd poderá mostrar-se bastante proveitosa.

No que diz respeito à Europa a minha opinião é bem diferente. Não se esperam medidas inflacionistas, felizmente para todos os que como eu não querem passar anos a pagar facturas vencidas. A redução das taxas de juro está cada vez mais limitada, já que nos aproximamos rapidamente do zero. Esperar-se-ão medidas de apoio indirecto às grandes economias, como a compra das obrigações emitidas pelos países, para assim se evitar o escalar das taxas. Medidas como a emissão de Eurobonds são para já de difícil concretização, pelo menos enquanto a senhora Merkel estiver no poder. Se os US aumentarem as medidas de estímulo à economia, é provável que nós acompanhemos o comboio positivista e isso nos ajude também de forma indirecta. Esperar que o senhor Monti tome alguma atitude radical… eu não contaria muito com isso.

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