Festas canceladas provocam prejuízos de 2ME às empresas da pirotecnia

Agência Lusa

As empresas de pirotecnia estão totalmente paradas desde o início de março e preveem prejuízos a rondar os dois milhões de euros devido ao cancelamento de festas e romarias, na sequência da pandemia de covid-19.

“Estamos parados a 100% desde o início de março, porque foi tudo cancelado”, referiu o presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Pirotecnia e Explosivos (APIPE) à agência Lusa, admitindo que “na melhor das hipóteses, o ano está perdido a 90%”.

Carlos Macedo ainda tem esperança de que as empresas consigam “faturar alguma coisa nas festas de final de ano”, mas reconhece que “mesmo que isso aconteça, o ano de 2020 será terrível”.

Segundo o presidente da APIPE, a indústria da pirotecnia, que conta com cerca de 80 empresas e mais de 10.000 trabalhadores, “parou antes das festas da Páscoa”, o que faz com que muitas empresas ainda não tenham faturado “nada este ano”.

Carlos Macedo recorreu ao exemplo da sua própria empresa para explicar a situação: “Passei a última fatura em dezembro de 2019, relativa à festa de fim de ano, e vamos ver se a próxima que passo não é só em dezembro de 2020”.

O responsável da APIPE admitiu que os poucos eventos que ainda não foram cancelados “serão em breve, porque são organizados por entidades privadas ou grupos, que, devido à atual situação, não conseguiram angariar fundos para a realização das festas”.

Carlos Macedo considerou “compreensíveis” os cancelamentos das festas organizadas por comissões ou privados, mas tem outra opinião sobre alguns eventos cancelados por autarquias e entidades públicas.

“Há eventos agendados para setembro e outubro que já foram cancelados pelas câmaras municipais. Penso que será um pouco prematuro, até porque as verbas para essas festas não precisam de ser angariadas, pois estão previstas nos orçamentos anuais”, explica.

Com milhares de festas canceladas, a indústria enfrenta outro problema grave relacionado com o armazenamento de foguetes que estavam preparados para as festividades da Páscoa – não podem ser utilizados durante a época de incêndios, que termina em 30 de setembro.

“Tencionamos pedir ao ministério da Administração Interna que abra uma exceção de forma a permitir o aumento da capacidade de armazenamento do material”, afirmou, lembrando que “a exportação de material, que rondava os 10% da produção, foi também afetada na totalidade pela covid-19”.

A APIPE admite também a possibilidade de pedir à Secretaria de Estado do Turismo que a indústria pirotécnica seja considerada complemento turístico, de forma a poder usufruir dos apoios que estão a ser dados ao setor, devido à pandemia.

“Devemos ser considerados um complemento turístico. Somos uma área fundamental para o turismo, sobretudo para o interno e o religioso”, disse o responsável, esclarecendo que o Código das Atividades Económicas (CAE) da indústria pirotécnica não permite a integração no setor do turismo.

Para combater a pandemia de covid-19, que já causou mais de 267.000 mortos a nível mundial, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Portugal, onde já morreram mais de 1.100 pessoas devido à doença, provocada pelo novo coronavírus, entrou no domingo passado em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

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